





Finalmente finalizamos a final da paciência final do final da finalização da Copa. Chata como a minha frase inicial a Copa do Mundo 2010 finalizou com uma final chata. Emocionante só os vinte primeiros minutos do tempo regulamentar e a prorrogação, quando os Espanhóis massacraram os holandeses.
Por outro lado ela traduziu exatamente a sensação que tive ao ver a copa: chatice dos gols que não saem, e nada melhor do que a Espanha que fez bem poucos gols e foi campeã. O Futebol de hoje é isso, resultado, ganhar, mesmo que seja só de um a zero. Essa é a seleção símbolo do futebol de hoje. É tudo muito parelho e ninguém é muito melhor que ninguém nessa copa. Tudo bem, a Espanha é um bom time, mas quase nunca deu show. Outras equipes deram show, como a Alemanha que aplicou dois quatro a zero, até na estreia. Ou a Argentina, que conseguiu fazer o mesmo uma vez. Portugal que fez sete a zero, ou o três a zero do Brasil no Chile.
É isso, aquele futebol de beleza não é nem nunca foi a única saída desse esporte para a vitória. É possível sempre vencer e conquistar jogando o pro gasto. A Espanha se garantiu sempre preferindo se proteger do que atacar. Aquele meio termo, parelho, mas que pende mais pra defesa. Retranca, não, não chega a ser isso. É melhor pensar em precacução.
Essa Copa me lembrou 1994, que foi a segunda copa mais chata que eu vi, depois desta. Os caras jogavam ao meio dia, com um solão, baixa qualidade técnica e uma decisão que foi pros penaltis. O Brasil de Parreira jogou retrancado, Se não fosse o Romário e o Bebeto, estávamos fudidos. O Dunga capitão pegou a taça e gritou: “É Nossa, porra!” Muito lindo.
O Dunga xaropeou a imprensa que o xaropeou mais ainda de volta. Os europeuzinhos fizeram os quatro times das duas últimas finais. Os juízes cometeram uma quantidade de erros inacreditável, as vuvuzelas azucrinaram o que deu o ouvido e a paciência de todo mundo. Santo Deus, que copa chata. Ainda bem que acabou, finalmente.
Circula pela internet um boato de teoria conspiratória que diz que tudo foi armado para o Brasil não ser campeão na África. Desde a contratação de Dunga pela CBF, um técnico sem experiência nenhuma na função, que formou um time (quase) sem craques e deu o azar (sorte) de ganhar tudo só perdendo mesmo o objetivo final. Durante as partidas vimos um grupo quase inerte pela falta de criatividade, que tomou ferro dos adversários que o chutaram, bateram, espancaram e desfalcaram, sem que a arbitragem tenha feito algo contra. Muito antes pelo contrário, amarelou-se os principais jogadores brasileiros e atingiu-se o cúmulo quando se expulsou Kaká, o que nunca ocorreu antes no futebol oficial, por uma falta que ele sofreu e pela irritação da falta de punição aos adversários.
A Vitória estaria nos destinada a ser em 2014, quando sediaremos a competição.
É, faz muito sentido, embora eu não creia de fato. Raramente dou fé a estas conspirações secretas que flutuam mais na imaginação criativa dos que enxergam um inimigo oculto por trás de tudo, os paranóicos, com sua criatividade auto-inspiradora. Prefiro enxergar por um outro lado. Esta competição foi criada pelos europeus e para eles mesmos.
Orgulhosamente nos gabamos de termos colocado quatro representantes sul-americanos na quartas, mas no conflito direto com os habitantes do velho mundo tomamos um vareio. Incidimos exatamente no “erro” do qual os treinadores de lá sempre nos acusam: somos emocionais demais e não toleramos derrota. Pois foi exatamente tal fato que desancou Brasil e Argentina das semi-finais, se agravando ainda mais no caso de nossos irmãos portenhos, que se anularam contra os alemães.
Talvez até as oitavas, pelo baixo nível técnico da competição, tenhamos ido com facilidade e até impulsionados pela emoção. Mas quando o controle dos nervos exigiu mais, os Europeus triunfaram, restando-nos apenas o esgualepado Uruguai que só enfrentou, por sorte, times bem inferiores.
Não esqueçamos que o mito fundador de nossa civilização é o genocídio frio e calculista que esses bárbaros do velho continente aqui perpetraram. E quando criaram-nos como seus filhos e eternamente dependentes não nos deram a fibra de reagir a seu cruel morticínio, nem no campo de jogo. Conseguimos quando jogamos nossos índios super-heróis em batalhas espetaculares a superá-los. Dessa vez faltaram os super-heróis que pareciam demasiadamente desprovidos de talento suficiente para romper com a sina de nossa amargurada história.
Essa competição foi pensada para os nervos deles e mesmo a mais bem elaborada teoria conspiratória não consegue apagar o destino de nossos pobres trabalhadores do futebol, suprimidos pela crueza e sangue frio de nossos vis colonizadores, que mitificaram a competição para que seus decendentes a vençam. Ás vezes demos o azar de supera-los.