Quem sou eu

Minha foto
Professor, Músico, Audiófilo, Cientista Político, Jornalista, Escritor de 1968.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Galeria de Desenhos deste humilde artista

A Gente se desdobra em mil pra levar a vida hoje em dia. De dia a gente se esforça muito. À noite relaxamos.

Homentiroso


Monotonia Sorridente


Larissaltitante


8ª Série


Controlinodélico

Gremiologia


Imagenastrado

Velhacos Cruéis

domingo, 11 de julho de 2010

Final

Finalmente finalizamos a final da paciência final do final da finalização da Copa. Chata como a minha frase inicial a Copa do Mundo 2010 finalizou com uma final chata. Emocionante só os vinte primeiros minutos do tempo regulamentar e a prorrogação, quando os Espanhóis massacraram os holandeses.

Por outro lado ela traduziu exatamente a sensação que tive ao ver a copa: chatice dos gols que não saem, e nada melhor do que a Espanha que fez bem poucos gols e foi campeã. O Futebol de hoje é isso, resultado, ganhar, mesmo que seja só de um a zero. Essa é a seleção símbolo do futebol de hoje. É tudo muito parelho e ninguém é muito melhor que ninguém nessa copa. Tudo bem, a Espanha é um bom time, mas quase nunca deu show. Outras equipes deram show, como a Alemanha que aplicou dois quatro a zero, até na estreia. Ou a Argentina, que conseguiu fazer o mesmo uma vez. Portugal que fez sete a zero, ou o três a zero do Brasil no Chile.

É isso, aquele futebol de beleza não é nem nunca foi a única saída desse esporte para a vitória. É possível sempre vencer e conquistar jogando o pro gasto. A Espanha se garantiu sempre preferindo se proteger do que atacar. Aquele meio termo, parelho, mas que pende mais pra defesa. Retranca, não, não chega a ser isso. É melhor pensar em precacução.

Essa Copa me lembrou 1994, que foi a segunda copa mais chata que eu vi, depois desta. Os caras jogavam ao meio dia, com um solão, baixa qualidade técnica e uma decisão que foi pros penaltis. O Brasil de Parreira jogou retrancado, Se não fosse o Romário e o Bebeto, estávamos fudidos. O Dunga capitão pegou a taça e gritou: “É Nossa, porra!” Muito lindo.

O Dunga xaropeou a imprensa que o xaropeou mais ainda de volta. Os europeuzinhos fizeram os quatro times das duas últimas finais. Os juízes cometeram uma quantidade de erros inacreditável, as vuvuzelas azucrinaram o que deu o ouvido e a paciência de todo mundo. Santo Deus, que copa chata. Ainda bem que acabou, finalmente.


domingo, 4 de julho de 2010

A Europa criou o Brasil

Circula pela internet um boato de teoria conspiratória que diz que tudo foi armado para o Brasil não ser campeão na África. Desde a contratação de Dunga pela CBF, um técnico sem experiência nenhuma na função, que formou um time (quase) sem craques e deu o azar (sorte) de ganhar tudo só perdendo mesmo o objetivo final. Durante as partidas vimos um grupo quase inerte pela falta de criatividade, que tomou ferro dos adversários que o chutaram, bateram, espancaram e desfalcaram, sem que a arbitragem tenha feito algo contra. Muito antes pelo contrário, amarelou-se os principais jogadores brasileiros e atingiu-se o cúmulo quando se expulsou Kaká, o que nunca ocorreu antes no futebol oficial, por uma falta que ele sofreu e pela irritação da falta de punição aos adversários.

A Vitória estaria nos destinada a ser em 2014, quando sediaremos a competição.

É, faz muito sentido, embora eu não creia de fato. Raramente dou fé a estas conspirações secretas que flutuam mais na imaginação criativa dos que enxergam um inimigo oculto por trás de tudo, os paranóicos, com sua criatividade auto-inspiradora. Prefiro enxergar por um outro lado. Esta competição foi criada pelos europeus e para eles mesmos.

Orgulhosamente nos gabamos de termos colocado quatro representantes sul-americanos na quartas, mas no conflito direto com os habitantes do velho mundo tomamos um vareio. Incidimos exatamente no “erro” do qual os treinadores de lá sempre nos acusam: somos emocionais demais e não toleramos derrota. Pois foi exatamente tal fato que desancou Brasil e Argentina das semi-finais, se agravando ainda mais no caso de nossos irmãos portenhos, que se anularam contra os alemães.

Talvez até as oitavas, pelo baixo nível técnico da competição, tenhamos ido com facilidade e até impulsionados pela emoção. Mas quando o controle dos nervos exigiu mais, os Europeus triunfaram, restando-nos apenas o esgualepado Uruguai que só enfrentou, por sorte, times bem inferiores.

Não esqueçamos que o mito fundador de nossa civilização é o genocídio frio e calculista que esses bárbaros do velho continente aqui perpetraram. E quando criaram-nos como seus filhos e eternamente dependentes não nos deram a fibra de reagir a seu cruel morticínio, nem no campo de jogo. Conseguimos quando jogamos nossos índios super-heróis em batalhas espetaculares a superá-los. Dessa vez faltaram os super-heróis que pareciam demasiadamente desprovidos de talento suficiente para romper com a sina de nossa amargurada história.

Essa competição foi pensada para os nervos deles e mesmo a mais bem elaborada teoria conspiratória não consegue apagar o destino de nossos pobres trabalhadores do futebol, suprimidos pela crueza e sangue frio de nossos vis colonizadores, que mitificaram a competição para que seus decendentes a vençam. Ás vezes demos o azar de supera-los.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Imaginem!

Imaginem se a Argentina ganha essa copa podre! Nunca vi um nível técnico tão baixo. Afinal quem é que está jogando alguma coisa? Ninguém. Os Brasilzinhos ficaram ali esperando os norte-coreanos saírem da linha de quatro zagueiros e cinco volantes para fazer alguma coisa! O Luis Fabiano foi uma Múmia. Nem se mexeu. Ô, Dunga, tira ele! Viva o Nilmar.
O Futebol já era. A coisa tá assim por causa da grana "que ergue e destrói coisas belas". A última Copa de verdade foi aquela que os Hermanos ganharam com gol de mão!

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Cornologia

Com certeza tem um complô internacional pra acabar com a música no lado debaixo de equador. Essa onda de sentimentos marginais e vis pela qual passa a maior parte da música popular do Brasil é um atentado à nossa cultura e á Brasilidade. Tem gente que jura que o que ouve nas rádioa é a coisa mais maravilhosa do mundo. Coitados. Não sabem que só ouvem isso porque tem alguém pagando jabá pra esvaziar sua cabeça.

Mesmo as multinacionais mais sectárias já foram mais bem intencionadas por aqui. Agora, em forma de música, só nos apresentam sofrimento. Nos Jornais de TV e escritos, por sua vez, é só sangue. É uma vibração pra negativizar nossa mente e nem percebemos.

Talvez isso esteja acontecendo porque as autoridades conservadoras perceberam que a música é potencialmente devastadora e revolucionária em seu alcance transformador. Então, nos negam. Nos dão coisas que não são dignas de serem chamadas de música. Querem que vivamos a nos sentir traídos pelo parceiro ou por nós mesmos. É um momento cornológico da MPB.

Eu admiro do fundo do coração aqueles jovens que conseguem sair desse espectro auto-depreciativo em que a paupérrima música pop brasileira vem surfando nas últimas décadas. Mas, geralmente, esses são os mais politizados, críticos e atuantes na realidade, de onde depreendo que esse tipo de fruição educa de fato. E a por mim criticada, ao contrário. Aliena e emburrece.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Avaliação

Avaliar é uma das atividades mais importantes que conheço. Analisar algo, avaliar determinado fato, pessoa ou lugar é algo que nos engrandece, nos humaniza. Como gostamos de ouvir um elogio depois de produzir algo significativo, e, é claro, uma boa crítica construtiva que nos fará mudar de atitude na hora de repetir um feito pra fazer melhor. Temos que ter muito cuidado ao investir nesse procedimento pois estamos mexendo com a auto-estima de alguém, seja este importante ou distante de nós.

Na rotina escolar, nem preciso dizer, a mensuração do aprendizado é algo fundamental. É a primeira conclusão, o espelho basilar que colocamos na frente do estudante pra que ele se mire, perceba suas dificuldades e deficiências e, em seguida, tente corrigi-las. Essa é a importância do Conselho de Classe (participativo) como instância essencial do processo avaliativo em termos coletivos, como orientação para o direcionamento do devir escolar.

Converso muito com meus alunos, os oriento, aconselho, ouço suas queixas na horinha de avaliar. Eles merecem esse retorno. Eles querem aprender (quase sempre) e se tornar seres humanos mais completos, mais acabados. Acredito que é o que a maioria ainda vem buscar na escola. Crescimento.

Aí, depois de todo o blá blá blá avaliativo, das risadas, filosofadas e gozos initerruptos sou forçado a atribuir a todo esse complexo ínterim um número. Número? Avaliar é algo, por natureza, qualitativo, e eu tenho que atribuir a isso uma grandeza? Ah, não dá. Ninguém é melhor que ninguém, ninguém é um número, a não ser talvez no sistema carcerário, nos cruéis treinamentos militares ou em uma fábrica. Nenhum aluno é um número ou uma letra para mim.

O que chamamos de nota ou conceito é algo esdrúxulo, inútil e injusto. Prejudica o processo pedagógico, ou melhor, o distorce. Meus colegas se utilizam do poder que têm sobre esse número para outorgar suas crueldades contra as pessoas que ensinam. Desumanizam tudo com seus somar e dividir, com cálculos mirabolantes pra dizer quem é melhor ou pior, ou ainda, quem vale mais. Vou mais além e chamo isso de dinheiro.

Essa moeda está em nossa propriedade, somos os banqueiros escolares (nosso salário é tão pequeno!), aqui somos ricos. Podemos tornar alguém pobre ou rico seguindo nossos próprios critérios. Somos como Deuses mágicos que classificam os pobres mortais segundo nossa própria sabedoria e competência, jogando no limbo da miséria aqueles que julgamos inaptos para o que nos interessa.

É uma grande doença, um vírus que se espalha e vai carcomendo a criatividade, o interesse, a verdade, a beleza de aprender. Isso mesmo, a nota é um vírus corrosivo. Já estamos tão acostumados com esse sistema de educação capitalizado que nem nos damos conta da imensa destruição que estamos causando ao (de) formarmos nossos alunos. Não importa aprender, basta passar.

Eu estudante tenho que ultrapassar essa barreira, e, não, aprender com ela. Tenho que usar de todos os expedientes para conseguir meu objetivo nem que seja fraudar (cola),mentir, enrolar, copiar, e, é claro, tudo com o menos esforço possível, pois aí sobra tempo pra coisas mais interessantes, verdadeiras e prazerosas como jogar futebol, andar de bicicleta, jogar vídeo-game, entrar na internet.

Eu, professor, não dou nota assim fácil não. Minhas provas são muito difíceis, e se eles não ficarem bem quietinhos como eu gosto, eu tiro nota deles, o que eles tão pensando?

Não. Se eles não passarem na minha matéria vão rodar só comigo, eu não passo ninguém, não dou pontos pra ninguém, nem que seja um gênio nas outras matérias. Os alunos é que têm que se adaptar a mim e não eu a eles. Eu ganho pouco mas tenho meu orgulho. E se for desrespeitoso já sabe: perde nota, anulo a prova e mando chamar a mãe, e não adianta ela vir cantar de galo comigo. Ela vai ver quem é que manda.

sábado, 15 de maio de 2010

Arte

Nada mais importante na educação do que a arte. A arte da beleza, da crítica, da profundidade, do emocional. A arte do comprometimento, da criatividade, do amadurecimento. Todo o resto deveria ser secundário. O poder da arte é muito grande, por isso ela é considerada secundária. É uma inversão absurda a que vivemos.

A frieza, a dureza, o sofrimento ao invés da boniteza. A mentira, a hipocrisia, a imposição ao invés da liberdade. São escolhas muito claras do padrão educacional que não deixam dúvidas quanto a seu caráter. Limitador, cabrestador, moldador. Não dá pra falar em ensinar sem arte. Quem não se artistifica se trumbica.

Nada compara uma bela produção plástica, uma pesquisa iconográfica, uma composição metafísica, a uma escritura autofágica. Comemos nossa própria cauda sofrendo com as agruras curriculares onde, nos parece, nada realmente importa. Dinheiro? É o que queremos quando nos educamos? É isso que compramos com nosso dinheiro? Mais dinheiro? Ou será que sabemos o que queremos comprar? Arte não se compra, se faz!

Todos precisam desesperadamente fazer arte com nossos alunos. Eles e nós precisamos disso. Sem criação não há solução. Só repetição não dá o mínimo tesão. É só castração. Abaixo a repressão! Chaga de enrolação, vamos ganhar um bolão! Viva a Educação!

Não é possível que em pleno século 21 continuemos reproduzindo as mesmas práticas de 40 ou 50 anos atrás. Que os alunos falem tão pouco. Que sua opinião seja tão pouco levada em consideração pra quase tudo o que se passa no ambiente escolar. Não é possível que não haja uma democracia plena em uma época em que democracia justifica até as maiores divindades e as piores atrocidades. Não é possível que uma andorinha só faça verão exercendo a função de carrasco peremptório da industriação do ensino. Não!

Mais conversa e menos falação. Mais música e menos sermão. Mais teatro e menos dissimulação. Nossa pátria é nosso coração. Chega de controlação, chega de ódio e recalque. Precisamos de renovação. O novo sempre vem, mas até quando vamos empurrá-lo para o mais além. Chega de clubinhos de conhecimento privado e pouca prática. Queremos aprender no dia-a-dia, onde nos leva nossa motivação. Vamos usar sempre essa tática. Onde estão os ciclos culturais, onde está o envolvimento coletivo, a troca, a confiança, o dividir? Não dá mais pra ser egoísta, todo mundo tem é que ser artista!