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Professor, Músico, Audiófilo, Cientista Político, Jornalista, Escritor de 1968.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Surrealísticas Impressões Cotidianas

Momento do Passado-Presente 


Bucólico Jardim Criado


Tênue luz Noturna


Ponta do Espelho Cinzento


Pupilos Aguados Pros Lados


Garrafa do Diretor do Lado


Recorte Atabalhoado do Saber


DKV Azul de Taquara


terça-feira, 3 de agosto de 2010

Educação


O motorista viu que eu tava sozinho na parada e parou dez metros adiante, fui correndo pegar o ônibus e já ia subir e reclamar quando quase fui amassado por um jovem com uns fones de ouvido enormes e cantando alto. Me deu um ombraço no peito e subiu primeiro. Eu fiz uma cara feia mas ele nem ligou. Perdi a vontade de reclamar pro do volante. Passei na roleta e sentei no único lugar livre do ônibus. Perto da roleta, toda a hora as pessoas tropeçavam em mim. Eu tava meio pra fora do banco porque o cara do meu lado tava com as pernas bem abertas e olhando pro outro lado. Quando sentei ele abriu as pernas mais um pouco. Fiquei quase pra fora do banco. O rapaz com os fonezões mexe no celular e começa a tocar um funk bem alto pra todo mundo ouvir, “vai rolá, vai rolá, nos vamu infernizá, vai rolá, vai rolá, vem vem cá me beijocá”, bem alto, quase do meu lado. Na parada seguinte só tinha uma senhora de cabelos brancos que acenou, mas o motora não parou. Logo que passou, olhou com um sorriso malicioso para o cobrador e começou a falar, achando que tagarelava em “código”: “se a gente não cumpri o que o patrão qué, a gente se dá mau, né”. O cobrador sorriu de volta. Enfim, em um bolo de gente no ponto seguinte sobe uma heroína de uns 80 anos, mas inteira. Com alguma dificuldade, atropelada por uma moça que perguntou se o ônibus “vai pro barra? me avisa quando for a parada do barra, tá?”, ela ultrapassa bravamente a roleta e descobre que não tem nenhum lugar pra ela sentar. Tento chamá-la para o meu, mas ela não me ouve lá do fundo do busun. Mas eu a ouço, timidamente, perguntar pra um rapaz de uns vinte e poucos anos de idade, cuja cara esta virada pra janela fingindo que não é com ele, “meu filho, deixa eu sentar?”, “eu cheguei primeiro minha senhora”, alguns em volta começam a olhar curiosos para a situação, “mas esse lugar é para idosos”, “não tem nenhum cartaz dizendo nada”, ele começa a ficar sem jeito apesar da negativa, a idosa desiste depois de dar um forte suspiro e fazer sinais negativos com a cabeça. Ninguém diz mais nada. Falo pro cobrador, “ô, cobrador, pede praquele rapaz lá”, e aponto, “ceder aquele lugar praquela senhora, ela tem direito”. O cobrador vira a cara. “Ô, cobrador, vai fingir que não é contigo, cumpadi?”, “eu não vou fazer nada”, e olha pro outro lado de novo. Não tive coragem de ir adiante. Cheguei na escola. Abri a porta da sala dos professores e uma colega aos berros diz “adoro essas notícias só de violência. Estupro, terremoto, eu fico grudada horas vendo notícia disso”, a faxineira responde “ai, eu também, adoro, até jornal eu compro”. Uma diretora entra correndo pela sala e fala, “pessoal, colocaram palitinho de fósforo nas fechaduras das portas dos professores da área, mas nós já chamamos o chaveiro”, “não, de novo?”. Enquanto a galera vai ver de perto o que houve vou à cozinha pedir algum produto que me ajude a desgrudar o chiclé da minha bunda, acho que peguei no ônibus e não vi. Passo pela sala da direção e vejo uma das professoras do currículo segurando um aluno que tenta agredí-la enquanto a ofende com palavrões escabrosos. Ai, nem dou bola, vou para minha sala ver o que houve e meus alunos de longe dizem “aaaahhhh, ele veio. Por que o senhor não ficou em casa?”. Senti um nozinho na garganta e transmutei em raiva. “Por que tu não ficou em casa?”, “ai, professor, puxa ...”. Depois de meia hora no frio, entramos. Começo a minha aula e tal. Três meninas no fundo da aula estão sentadas quase em roda, uma de costas pra mim, “hei vocês meninas, poderiam, por favor, parar de conversar pra eu poder dar aula?obrigado”. Elas fazem caras de brabinhas. Recomeço, imediatamente elas recomeçam também. Paro de novo, “ô garotas vou ter que separar vocês? Não é 5ª série, vocês tão na oitava ...”. Recomeço, nem dois minutos, bastou pra elas tagarelarem. “Tá, deu, tu senta lá, tu lá e tu lá, vamos, rápido que eu não tenho todo o dia”. Uma hora depois, dou uns exercícios e saio rápido para ir ao banheiro quando vejo uns pequenininhos fazendo guerra de maçã. Um deles tem a calça gorda. Tira a fruta do bolso, dá uma mordida, gospe no chão e joga, com toda a força na cabeça de uma menina que começa a chorar. A supervisora aparece e acaba com a cena. Volto correndo. Quando chego o corredor está cheio de futas esmagadas misturadas com terra e papel picado. Três meninos da minha turma estão jogando futebol com um toco de cachorro quente. Fico possesso. Dentro da classe há duas meninas de pé em cima de uma carteira vendo tudo e gritando, “vai cara, dribla ele ...”, enquanto dois rapazes estão agarrados se soqueando no fundo da sala. Ai, não sei o que fazer. Levo pra direção, acalmo aqui … opto pela última alternativa. Recomeço, duras penas, a falar, batem na minha porta. Uma senhora que eu não conheço me aponta o dedo e começa a gritar, “o senhor não pode dar zero pro meu filho porque ele é um ótimo aluno, meu guri trabalha pra ajudá o pai dele que é paralítico e eu vou denunciar o senhor lá na secretaria ...”, até que uma moça aparece e diz, “mãe, não é esse professor aí, é lá da outra sala”, a mãe gritona não me diz mais nada e repete a cena duas portas adiante, vejo o colega perder a calma e responder na mesma moeda e penso, pra mim chega. Esse negócio de educação é muito complicado.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Dramatizações 2010 2 - Escola La Hire Guerra/ Eldorado do Sul

A 7ª série julga Napoleão Bonaparte.


A promotoria argumenta contra o réu.


Isabel da Espanha concede privilégios a Colombo. A 6ª Série dramatiza a expansão maritma européia.

O Cacique da Tribo, seus guerreiros e Cristovão Colombo.


A 5ª Série Dramatiza a antiguidade.


A Rainha e seus Escravos.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Dramatizações 2010 1 - EEEM Pe Reus

Também realizei dramatizações com os alunos nesse segundo trimestre antes das férias. Essas aí foram feitas com 1ªs e 3ªs séries. Acho que os alunos se superaram e fizeram trabalhos muito bonitos e criativos, demonstrando toda a qualidade do aprendizado propiciado por esse tipo de atividade. Curtam.

Gostaria de gentilmente pedir a você, que tem lido meus dois blogs, que deixasse comentários, dicas e críticas ao que vem sendo feito aqui. Obrigado por comparecer, sempre às ordens!

Os Cavaleiros e Vassalos reverenciam os suseranos.


A música e o artesanato na Idade Média Européia.


Na Idade Média, os homens viviam para a religiosidade.


Os fiéis pedem perdão pelos pecados.


Acusadas de Bruxaria queimam na fogueira.


A Igreja e as questões medievais.


A 233 julga Getúlio Vargas!


Alunos da 3ª Série discutem, na prática, o aquecimento global.


Os militantes ecológicos apertam empresas poluidoras.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Galeria de Desenhos deste humilde artista

A Gente se desdobra em mil pra levar a vida hoje em dia. De dia a gente se esforça muito. À noite relaxamos.

Homentiroso


Monotonia Sorridente


Larissaltitante


8ª Série


Controlinodélico

Gremiologia


Imagenastrado

Velhacos Cruéis

domingo, 11 de julho de 2010

Final

Finalmente finalizamos a final da paciência final do final da finalização da Copa. Chata como a minha frase inicial a Copa do Mundo 2010 finalizou com uma final chata. Emocionante só os vinte primeiros minutos do tempo regulamentar e a prorrogação, quando os Espanhóis massacraram os holandeses.

Por outro lado ela traduziu exatamente a sensação que tive ao ver a copa: chatice dos gols que não saem, e nada melhor do que a Espanha que fez bem poucos gols e foi campeã. O Futebol de hoje é isso, resultado, ganhar, mesmo que seja só de um a zero. Essa é a seleção símbolo do futebol de hoje. É tudo muito parelho e ninguém é muito melhor que ninguém nessa copa. Tudo bem, a Espanha é um bom time, mas quase nunca deu show. Outras equipes deram show, como a Alemanha que aplicou dois quatro a zero, até na estreia. Ou a Argentina, que conseguiu fazer o mesmo uma vez. Portugal que fez sete a zero, ou o três a zero do Brasil no Chile.

É isso, aquele futebol de beleza não é nem nunca foi a única saída desse esporte para a vitória. É possível sempre vencer e conquistar jogando o pro gasto. A Espanha se garantiu sempre preferindo se proteger do que atacar. Aquele meio termo, parelho, mas que pende mais pra defesa. Retranca, não, não chega a ser isso. É melhor pensar em precacução.

Essa Copa me lembrou 1994, que foi a segunda copa mais chata que eu vi, depois desta. Os caras jogavam ao meio dia, com um solão, baixa qualidade técnica e uma decisão que foi pros penaltis. O Brasil de Parreira jogou retrancado, Se não fosse o Romário e o Bebeto, estávamos fudidos. O Dunga capitão pegou a taça e gritou: “É Nossa, porra!” Muito lindo.

O Dunga xaropeou a imprensa que o xaropeou mais ainda de volta. Os europeuzinhos fizeram os quatro times das duas últimas finais. Os juízes cometeram uma quantidade de erros inacreditável, as vuvuzelas azucrinaram o que deu o ouvido e a paciência de todo mundo. Santo Deus, que copa chata. Ainda bem que acabou, finalmente.


domingo, 4 de julho de 2010

A Europa criou o Brasil

Circula pela internet um boato de teoria conspiratória que diz que tudo foi armado para o Brasil não ser campeão na África. Desde a contratação de Dunga pela CBF, um técnico sem experiência nenhuma na função, que formou um time (quase) sem craques e deu o azar (sorte) de ganhar tudo só perdendo mesmo o objetivo final. Durante as partidas vimos um grupo quase inerte pela falta de criatividade, que tomou ferro dos adversários que o chutaram, bateram, espancaram e desfalcaram, sem que a arbitragem tenha feito algo contra. Muito antes pelo contrário, amarelou-se os principais jogadores brasileiros e atingiu-se o cúmulo quando se expulsou Kaká, o que nunca ocorreu antes no futebol oficial, por uma falta que ele sofreu e pela irritação da falta de punição aos adversários.

A Vitória estaria nos destinada a ser em 2014, quando sediaremos a competição.

É, faz muito sentido, embora eu não creia de fato. Raramente dou fé a estas conspirações secretas que flutuam mais na imaginação criativa dos que enxergam um inimigo oculto por trás de tudo, os paranóicos, com sua criatividade auto-inspiradora. Prefiro enxergar por um outro lado. Esta competição foi criada pelos europeus e para eles mesmos.

Orgulhosamente nos gabamos de termos colocado quatro representantes sul-americanos na quartas, mas no conflito direto com os habitantes do velho mundo tomamos um vareio. Incidimos exatamente no “erro” do qual os treinadores de lá sempre nos acusam: somos emocionais demais e não toleramos derrota. Pois foi exatamente tal fato que desancou Brasil e Argentina das semi-finais, se agravando ainda mais no caso de nossos irmãos portenhos, que se anularam contra os alemães.

Talvez até as oitavas, pelo baixo nível técnico da competição, tenhamos ido com facilidade e até impulsionados pela emoção. Mas quando o controle dos nervos exigiu mais, os Europeus triunfaram, restando-nos apenas o esgualepado Uruguai que só enfrentou, por sorte, times bem inferiores.

Não esqueçamos que o mito fundador de nossa civilização é o genocídio frio e calculista que esses bárbaros do velho continente aqui perpetraram. E quando criaram-nos como seus filhos e eternamente dependentes não nos deram a fibra de reagir a seu cruel morticínio, nem no campo de jogo. Conseguimos quando jogamos nossos índios super-heróis em batalhas espetaculares a superá-los. Dessa vez faltaram os super-heróis que pareciam demasiadamente desprovidos de talento suficiente para romper com a sina de nossa amargurada história.

Essa competição foi pensada para os nervos deles e mesmo a mais bem elaborada teoria conspiratória não consegue apagar o destino de nossos pobres trabalhadores do futebol, suprimidos pela crueza e sangue frio de nossos vis colonizadores, que mitificaram a competição para que seus decendentes a vençam. Ás vezes demos o azar de supera-los.