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Professor, Músico, Audiófilo, Cientista Político, Jornalista, Escritor de 1968.

domingo, 22 de março de 2009

O Século XX

O Século XX, parte 1


                O século XX representa, em termos históricos, uma fase de maturidade do sistema capitalista. Simultaneamente, três grandes desafios a este sistema: o primeiro foi os sistemas totalitários, que dentro do capitalismo, o questionaram em sua forma mais pura e inicial, o liberalismo. O segundo desafio, externo ao sistema, foi o advento da União Soviética, que representou, ao longo de um período denominado de “Guerra Fria”, um desafio ao mundo do capital. E o terceiro é o desenvolvimento asiático cuja natureza é mista: embora a China e os Tigres Asiáticos sejam competitivos dentro do Capitalismo, em termos políticos representam uma alternativa externa, sobretudo no caso Chinês, cujo modelo societário é alternativo ao da cultura judaico-cristã, ocidental e eurocêntrica.
                O século mais importante da História até então, chamado de “breve” por alguns historiadores e de “longo” por outros, foi um período em que a humanidade viveu acontecimentos sonhados por séculos. O Ser humano conseguiu ir ao espaço, e produziu tecnologia e arte como nunca imaginados. Foi, paradoxalmente, o período marcado pelas grandes guerras que mataram uma quantidade de seres humanos inacreditável, acontecimentos que culminaram com a criação da Bomba Atômica, testada em Hiroxima, prova de quão longe em termos bélicos e auto-destrutivos o homem chegou. De uma certa forma, é uma perversão dos ideais que acompanharam a criação do mundo do século XIX, do liberalismo, do fim do antigo regime, do iluminismo e da modernidade.
                Com a revolução industrial de 1870, novos países competidores surgiram, com a adoção do paradigma fordista, gerando um desgaste da hegemonia inglesa, acirrando o imperialismo e arrastando o mundo para as guerras, estimulando o socialismo e criando uma alternativa ao sistema capitalista através da revolução Russa, e gerando a Grande Depressão e a Crise de 1929, além de estimular o aparecimento dos Fascismos.
                Durante a Guerra Fria, o Sistema Capitalista se manteve estável devido sob os paradigmas Keynesiano e Fordista, sob a égide dos EUA ou “Pax Americana”, com uma internacionalização comercial e financeira. Mas com a proximidade do fim do sistema bipolar e a mudança do paradigma contífico-tecnológico a partir dos anos 70, ruma-se para um sistema internacional do tipo pós hegemônico onde os elementos centrais são a Globalização, a formação de Blocos Regionais, uma certa instabilidade estrutural, uma competição econômica acirrada com o reordenamento da política internacional. Desta forma, no fim do século e início do novo milênio assistimos a um declínio gradativo da expansão ocidental, iniciada há cinco séculos, e freada pela emergência da Ásia oriental e da luta pelo domínio e acomodação dos agentes condicionantes dos paradigmas da revolução Tecnológico-industrial, com implosão de estruturas pré-existentes.

Imperialismo

                Termo cunhado pelo economista Hobson em 1902, cuja definição é “excedentes de capitais para exportação nas metrópoles sendo decorrente da concentração de renda”. Para Lenin o Imperialismo é “uma etapa superior do capitalismo” cuja definição é “concentração da produção e dos capitais, que conduziram aos oligopólios, fusão do capital bancário e industrial, gerando capital financeiro, a exportação de capitais, a associação dos grandes monopólios econômicos que repartiram o mundo e a conquista e divisão dos territórios periféricos pelas grandes potências, criando imensos impérios coloniais”.
                A denominação abrange um período histórico que vai desde a década de 1870 até o contexto da 1ª guerra mundial, quando os antigos impérios coloniais e a Pax Britânica entram em colapso, sendo desbancados pelos Estados Unidos. O final do século XIX foi marcado por grande desenvolvimento tecnológico (a Segunda revolução industrial) que só foi possível pelo próspero acumulo de capital propiciado pela fusão dos setores bancário e industrial e a formação dos mono e oligopólios, onde uma ou poucas empresas controlam grande parte dos setores produtivos da sociedade e assim investem para expandi-lo tecnologicamente.
                A descoberta e uso da energia elétrica – e do dínamo –, da indústria siderúrgica e química e de materiais como o aço em substituição ao ferro, o surgimento de meios de comunicação como o telefone, o cinema e a fotografia, e o uso do petróleo como combustível para motores a explosão, modificaram a vida na sociedade moderna para sempre. A era de consumo de massas havia chegado junto com a classe média e os sindicatos operários. As leis sociais chegavam para acalmar os operários: redução sua jornada de trabalho, férias, aposentadoria, seguros de saúde e contra acidentes de trabalho; e também a classe média, como a indústria do lazer, os parques de diversões e os investimentos populares na bolsa de valores, a casa na praia ou no campo, o automóvel de passeio.
                O termo Imperialismo aplica-se a um certo tipo de política neocolonialista desenvolvida pelas nações européias no período (Inglaterra, França, Holanda, Bélgica e, atrasadamente, Itália e Alemanha, além dos históricos impérios português e espanhol), cujo objetivo era expandir seu território. Tal feito tornou-se uma necessidade para as burguesias nacionais que, internamente, não tinham mais espaço. Era praticamente impossível lutar comercialmente contra os acordos estabelecidos no seio de cada país pela classe dominante de lá. Assim, cada uma das burguesias (Inglesa, Francesa, Alemã, etc.) transformou-se em inimiga da outra, e todas voltaram-se para fora da Europa. A América do sul já estava dividida entre as potências por dependências econômicas e, territorialmente seria área preferencial dos EUA, então, um Império doméstico. Portanto, a expansão voltou-se, obviamente, para a África e a Ásia (e parte da Oceania).
                Neste sentido, na prática, o que ocorreu foi uma “ocidentalização do mundo”, pois cada potência, ao instalar-se em um novo território promovia o desenvolvimento de uma rede de infra-estrutura, saneamento, modernas estruturas econômicas e sociais, maximizando a exploração. A não ocupação de uma região deixava espaço para que outrem o fizesse.

Principais Características do Imperialismo

1.        O surgimento do capital financeiro pela união entre bancos e indústrias;
2.        Industrialização acelerada pela 2ª Revolução Industrial: eletricidade, aço e petróleo;
3.        Formação de Grandes exércitos nacionais profissionais, muito bem armados pelo incremento da indústria bélica;
4.        Desenfreada corrida armamentista, responsável, em parte pela ocorrência da 1ª Guerra Mundial;
5.        Aumento da escolaridade e bem-estar social, conquista de direitos, sindicatos de operários, lazer;
6.        Neocolonialismo nos territórios africano e asiático;
7.        Ideologia de dominação: “o fardo do homem branco” (Rudiard Kypling), baseada no evolucionismo Dawiniano, transformada em “evolucionismo social”, transportado para as diferenças entre as culturas européia e dominadas.
8.        Cooptação das elites locais que agiam como interventoras das potências;
9.        Exportação de capitais e indústrias em troca de matérias-primas;
10.     Disputas entre as nações pelos territórios colonizados: Guerras e conferências;
11.     Conflitos armados entre colonizadores e colonizados: Cipaios, Boxers, Bôeres, etc.

Filmografia

“Lawrence da Arábia”, Passagem Para a Índia”, “Out Of África”, “As Montanhas da Lua”, “O Império do Sol”, “O último Imperador”, “Sorgo Vermelho”, “Indochina”, Apocalypse Now”, “Platoon”, “Amargo Regresso”, “Nascido em 4 de Julho”, “Os Gritos do Silêncio”, “O Franco Atirador”, “A Batalha de Argel”, “Adeus Minha Concubina”, Ghandi”, “O Ano em que vivemos em perigo”, “Viva Zapata”, “55 Dias em Pequim”, “Zulu”, “Entre Dois Amores”, “Viva México!”

A 1ª Guerra Mundial

                As burguesias nacionais, em sua expansão neocolonial tinham todas um grande objetivo: dominar mercados e territórios cada vez maiores. A 1ª Guerra se configura, portanto, em um limite a este expansionismo belicista desenfreado, um conflito interimperial ou, entre os impérios. A única forma de tornar possível a continuidade da expansão era tomar territórios de outras nações e, a guerra, era o método economicamente mais viável pois, afinal, a indústria bélica gera empregos e aumenta a produção.
                Obviamente que para chegar-se a um embate de tal monta, não bastava a vontade das classes dominantes e de seus governos do tipo “comitê de interesses da burguesia”. Foi necessário convencer as populações da necessidade da guerra e, acredite-se, às vésperas do conflito quase ninguém, inclusive muitos PC’s, era contra a Guerra. Explica-se isso sobretudo pela emergência, juntamente com o progresso econômico e social do fim do século XIX, do fenômeno chamado de “Nacionalismo”. Nietzche, um dos filósofos mais influentes da modernidade já mencionava a “Vontade e Potência das Nações”. De uma certa forma, o Imperialismo se tornou necessário à elevação do nível de vida das classes trabalhadoras. Era o apoio de lideranças operárias ao expansionismo, a aliança feita com as burguesias nacionais e proclamada na 2ª internacional Socialista de 1914 como o “Social-Patriotismo”.
                Mas nenhuma nacionalidade pode ser construída na prática sem ser em oposição a outra. Dessa forma, além do ódio dos comerciantes e industriais aos seus concorrentes de outra nacionalidade foi preciso convencer o povo a se tornar xenófobo. E a palavra de ordem que explica porque o mundo entrou em guerra é “Rivalidade”.


As Rivalidades

ALEMANHA X GRÃ-BRETANHA: correndo atrás das duas maiores potências européias, pela falta de colônias e pela unificação tardia, os alemães tiveram um crescimento industrial acelerado, tomando mercados outrora ingleses como o aço e o carvão, sobretudo na Europa e no oriente e, mesmo, dentro da própria grã-bretanha, que, apesar de “liberal” precisou estimular o protecionismo para não perder seus mercados internos. Às vésperas da Guerra, a Alemanha que, 50 anos antes possuía só 1/5 da extração de carvão em relação aos britânicos, chegava “empatada” na produção. Com o aço, a situação era pior. De deficitários 30 anos antes, os germânicos já produziam o dobro que os ingleses.

Havia também um projeto para a construção de uma ferrovia, a “Berlim-Bagdá”, que daria à Alemanha acesso à riquíssima região petrolífera, a mais rica do mundo em reservas, o oriente médio, até então exclusividade dos britânicos. Mexer com o ouro negro significava bulir com uma rede internacional de contratos altamente lucrativos para as partes envolvidas que detinham esse monopólio, e os Alemães eram completamente “estranhos” a tudo isso. Isso colocava a Inglaterra em maus lençóis e a imprensa começava um campanha anti-germânica alarmista:

Se a Alemanha fosse extinta amanhã, não haveria depois de amanhã um só inglês no mundo que não fosse mais rico do que é hoje. Nações lutaram durante anos por uma cidade ou pelo direito de sucessão; e não se deve lutar por um comércio de 250 milhões de libras esterlinas? A Alemanha deve ser destruída.” Em Berlim, por sua vez, os jornais belicistas usavam táticas semelhantes.

             O Grande peso britânico na economia mundial de então, o endividamento com os EUA, sua presença como nação hegemônica politicamente, somados ao acelerado crescimento industrial alemão, mais a desenfreada corrida armamentista na qual ambos os países se colocaram no início do século, tornaram esta rivalidade uma das mais importantes para a compreensão do contexto em que se iniciou a 1ª Grande Guerra. A Alemanha era grande candidata à maior potência pois, além de emergente, possuía grande dinamismo econômico e se aproximava economicamente das outras pelo aparato bélico, pois tinha o maior complexo industrial militar. Além disso, de tributária da Inglaterra, passou a credora, e para os Estado Unidos exportava capitais, mão-de-obra e recursos. No plano ideológico, buscava o Lebensraum, ou “Espaço Vital”, para aliviar o crescimento acelerado de sua população em decorrência do incremento industrial.
                Os Estados Unidos que, por sua vez, possuía boas relações com a Inglaterra. Se tratava de um Império doméstico e compacto de dimensão continental, grandes recursos, posição insular com saída para dois oceanos importantes, política comercial protecionista fechando o mercado interno a produtos importados, mas não a capitais e imigrantes, facilitava a erosão do liberalismo estimulando as rivalidades, preparando sua ascensão ao lugar de potência hegemônica do capitalismo.

ALEMANHA X FRANÇA: além do intrincado panorama geopolítico devido às disputas coloniais, a França odiava a Alemanha por uma razão cultural. O “Revanchismo Francês”, como era chamado, nos remete historicamente à derrota na guerra franco-prussiana e a perda do território da Alsácia-Lorena, que obrigava a França a importar carvão dos alemães. Ora, um território que os franceses consideravam seu, rico em ferro e carvão fora tomada numa peleja considerada “humilhante”: o acordo de rendição foi assinado no salão dos espelhos do palácio de Versalhes, isto feria o orgulho nacionalista francês. Assim, desde pequenos nas escolas, nos sermões dominicais dos padres, através da imprensa, o povo era estimulado a “dar o troco”. As vésperas da guerra o clima era patriota e nacionalista, apesar da Alemanha ter, ao longo dos anos, feito o possível para se “isolar” dos franceses. Além disso, para complicar as coisas, do ponto de vista germânico, havia a “Questão Marroquina”.
                Desde 1904, os franceses exploravam o Marrocos com exclusividade, com a permissão da Inglaterra. Tal situação rompia com a “Convenção de Madri” em que ambos os países haviam pactuado com a Alemanha a permissão de exploração do país africano. Em 1905, o Kaiser em pessoa, o Imperador Guilherme II, discursou irritado, falando em guerra e mobilizando seus exércitos. Promete preservar a “independência” do Marrocos, vai a Tanger pessoalmente e sugere (ou ameaça) o sultão com guerra caso este o exclua do comércio ou mantenha com algum outro país alguma espécie de monopólio. Afirmou categoricamente que saberia salvaguardar os interesses de seu país e esperava que tais condições fossem respeitadas pelos franceses. Em 1906, em Algeciras, a presença Alemã é reconhecida, mas entre 1908 e 1911, o Marrocos passa a ser oficialmente da França que cede o Congo Francês aos germânicos. Estes nunca ficaram muito satisfeitos com a solução encontrada.
                Tais indisposições com as duas grandes potências da época, levaram a Alemanha a se aproximar do Império Austro-húngaro, com quem, afinal, tinham profundos laços étnicos e históricos. Por sua vez, a França, secretamente, passou a investir na Rússia em termos militares, cercando os Alemães por ambos os lados e tirando os franceses do isolamento, a partir de 1894.

RÚSSIA X ÁUSTRIA-HUNGRIA: a Rússia, que já era o maior império e país do planeta em termos de território contínuo, ambicionava mais e desejava se expandir pela Europa central e os Bálcãs, esteio dos povos eslavos. Por sua vez, os austro-húngaros, tradicionalmente sempre dominaram outros povos como os tchecos, eslovacos, sérvios, eslovenos, croatas e poloneses. A oposição entre os dois impérios se deu por ocasião da disputa pela península balcânica e pela criação do movimento do “Pan-eslavismo”(Eslavos: origem lingüística e cultura, Russos, Poloneses, Ucranianos, Sérvios, Búlgaros, croatas, Tchecos, Eslovacos). Os Russos, como maior povo eslavo, se apoiavam no expansionismo sérvio nos Bálcãs, estimulando a revolta contra os austríacos na região anexada por eles em 1908, a Bósnia-herzegovina.
                A Sérvia, por sua vez, idealizava uma região sob domínio Eslavo, a “Grande Sérvia”. O grande inimigo, além da Áustria, eram os aliados dos germânicos, o decadente Império Turco (Turquia, a “Grande Enferma do levante”), que controlava parte da península e detinha uma parte essencial do território necessário para fazer chegar ao oriente a tão sonhada pelos alemães, ferrovia Berlim-Bagdá”. Com a anexação da Bósnia, tudo ficou mais difícil. Não esqueçamos que os Bálcãs abrigava povos diferentes, com variadas religiões e origens étnicas, além de possuir uma localização estratégica como passagem da Europa ao oriente. Já haviam se independido dos turcos a Grécia, em 1829, a Sérvia, Montenegro e Romênia, em 1878 e a Bulgária em 1897. A Importância dos estreitos de Bósforo e Dardanelos, levou os Russos a estimularem o que aconteceu em 1912: a I Guerra Balcânica. Vitoriosos, os Sérvios, Gregos, Montenegrinos e Búlgaros praticamente selaram o Império Turco. Mas a Bulgária, descontente e, apoiada pelos austríacos, atacou os Sérvios que acabaram vencendo a II Guerra Balcânica em 1913. A Áustria ainda conseguiu criar a Albânia para impedí-los de terem uma saída para o mar, angariando o ódio eterno dos Sérvios.
                Desta forma, as rivalidades, as relações internacionais, estavam definidas para formar um sistema de alianças que será o responsável por fazer eclodir a I Guerra Mundial.

O Sistema de Alianças

A ENTENTE CORDIALE ou TRÍPLICE ENTENTE: formada inicialmente pela Inglaterra e França em 1904, a partir da existência de um inimigo comum, os Alemães. A entrada da Rússia foi uma conseqüência da rivalidade com a Àustria-Hungria na questão balcânica. Em 1907, portanto, esta aliança se torna tríplice.

A TRÍPLICE ALIANÇA: a história deste bloco político começa em 1873, quando Otto Von Bismarck, a fim de isolar politicamente a França, reúne a Alemanha, a Áustria-Hungria e a Rússia. Por causa da questão balcânica, a Rússia, como sabemos, troca de lado. Assim, a Itália substitui a Rússia devido à questão Tunisiana com a França. A França dominava a Tunísia desde 1881. Entretanto, ao iniciar a guerra, os italianos passariam para o lado da Entente por causa de sua divergência com os austríacos em relação às regiões irredentas: Trentino, o sul do Tirol e a Ísria. Possuiu sempre um comportamento dúbio e acordos secretos de não agressão com a Rússia e França. A grande dificuldade dos Italianos à época é que, tal como os Alemães, haviam se unificado tarde e chagado atrasados na partilha colonial do mundo. Assim, um enorme abismo econômico os separava dos países mais desenvolvidos da Europa, situação que ficará particularmente clara com o surgimento do Fascismo no pós 1ª Guerra.

O Início da Guerra

                Em Jogo, nesta peleja, estava o controle imperialista sobre o planeta inteiro, pois o capitalismo começava a unificá-lo em torno de problemas comuns de fundo econômico e político. Foi um conflito sem precedentes históricos, envolvendo todas as grandes potências. O recrutamento foi obrigatório para o exército ou para a produção. Todos os países entraram em um “Esforço de Guerra” e “Economia de Guerra”, onde todos os cidadãos se tornam soldados. Surgiu um arsenal de novas armas de guerra: tanques, encouraçados, submarinos, obuses de grosso calibre, aviação, armas químicas e outras.
                O sistema de alianças foi fundamental para a deflagração do conflito uma vez que não foram as grandes potências que se indispuseram diretamente como estopim. Na verdade, em 1914, a região mais tensa pelo passado recente e o intrincado panorama geopolítico era a península balcânica. Aproveitando-se das guerras ali desenroladas, a Bósnia-Herzegovina, com apoio Sérvio, buscou sua independência. Assim, os Sérvios planejaram, através de sua organização secreta “Mão negra”, um atentado à vida do Arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do trono austríaco. No dia 28 de Junho de 1914, um estudante o matou a tiros, juntamente com a esposa. O monarca havia dispensado os seguranças e foi baleado após, imprudentemente, ter desfilado em carro aberto em meio a uma multidão. A Áustria-Hungria deu um ultimato à Sérvia exigindo a eliminação de organizações secretas. Como os sérvios se recusaram a intervir nas diversas corporações que existiam na época (eslovênias, bósnias, sérvias, etc.), em 1º de agosto, a Áustria declarou guerra à Sérvia e então o sistema de alianças foi ativado: a Rússia declarou Guerra à Áustria, a Alemanha declarou guerra à Rússia. Logo em seguida, a Inglaterra e a França declararam guerra à Alemanha. A Itália acabou entrando ao lado da Entente pela promessa de anexação dos territórios austríacos. O Japão tomou as colônias alemães na Ásia e se retirou.
                Para ser bem compreendida, a 1ª Guerra deve ser dividida em duas fases: A Guerra de Movimentos e a Guerra de Trincheiras.

Guerra de Movimentos

                Esta fase compreende apenas o ano de 1914, quando a Alemanha pôs em prática seu plano, o “Plano Schieffen”, cuja estratégia era invadir a França através da Bélgica e depois atacar os Russos, ou seja, concentrar-se primeiro na frente ocidental e depois na frente oriental. Assim, invadiram a Bélgica, violando a neutralidade de tal nação. Já indisposta pela questão balcânica, a Inglaterra finalmente declara guerra à Alemanha, cujos soldados rumam a Paris. Os Russos então, lançam um ofensiva na frente oriental, malfadando a estratégia germânica. Além disso, a resistência francesa bloqueou o avanço germânico na “Batalha do Marne”.

Guerra de Trincheiras

                Esta fase que dura até o fim da Guerra (1918) iniciou-se pelo fracasso do plano alemão proporcionado pela resistência dos franceses ao avanço em seu território. Assim, as forças inimigas se fixavam por longo tempo, frente a frente, em abrigos cavados na terra e protegidos por arame farpado, chamado de “Trincheira”. Ali ficavam os soldados por meses, às vezes anos. Era difícil avançar por causa das rajadas de metralhadoras. Tudo ficava parado e os soldados ali moravam. A vida era terrível e se enfrentava de tudo: calor, frio, lama, insetos, ratos e os cadáveres apodrecendo. Muitas vezes, a única forma de matar o inimigo eram as armas químicas, por isso o uso de máscaras de gás se tornou comum. Tais substâncias voláteis podiam provocar cegueira irreversível ou morte cheia de dor e agonia.
                Em 1916, na “Batalha de Verdum”, uma nova ofensiva alemã é frustrada e morrem 300 mil soldados. Mantém-se as posições. Na frente oriental, entretanto, os russos são detidos, como na “Batalha de Tannenberg”, em 1915, quando avançavam sobre os territórios da Áustria-Hungria” e têm 100 mil de seus homens aprisionados. Ao lado da Entente entram na guerra o Japão (1914), a Itália (1915), Portugal e Romênia (1816) e Estados Unidos, Grécia e o Brasil (1917). No Lado oposto entram a Turquia (1914) e a Bulgária (1915). Os Estados Unidos, grande credor francês e Inglês, fica com medo de um calote generalizado por parte dessas potências e assume o posto ao lado da Entente, supondo, naquele momento, uma vantagem alemã, e ganhando muito dinheiro com o fornecimento de alimentos, tropas, armamentos e produtos industrializados. O medo de uma vitória alemã assusta os empresários norte-americanos naquele momento fazendo a Bolsa de Nova York sofrer forte abalo.
                Simultaneamente, a situação na Rússia assume, internamente, ares de Revolução, e, em 1918, este país, agora socialista e enfrentando uma guerra civil, assina a “Paz de Brest-Litovsky” apenas com os alemães, que passam a investir naquele país. Mas a entrada dos EUA desequilibra o cenário a favor da Entente. Os alemães perdem aliados como a Bulgária, a Turquia e a Áustria-Hungria que, depalperados, saem do conflito em 1918. Neste ano, tentam sua última cartada: uma grande ofensiva na frente ocidental, utilizando-se de tanques, aviões e canhões de longo alcance, chegando a 46Km de Paris, mas detidos pelo reforso norte-americano. Sofrem, simulaneamente, um bloqueio naval e enfrentam escassez de alimentos e muitas manifestações de protesto e até greves gerais. Em 18 de Novembro ocorre uma sublevação contra a monarquia e o Imperador Guilherme II abdica. Surgia a República de Weimar, que assina o armistício de Compiegne, no mesmo mês. A Guerra chegara ao fim.

Os Tratados de Paz

                Contra as 14 teses do presidente Wilson, que pretendia “uma paz sem vencedores”, a situação do pós-guerra foi decidida apenas pelos vencedores. O então presidente norte-americano afirmava, com razão, que se o armistício sacrificasse demais à Alemanha, a tensão poderia voltar à Europa causando um novo conflito. A história provou que ele tinha razão.
                Participaram da Conferência de Paris, em 1919, apenas os vencedores e países neutros, 32 ao todo. No “Tratado de Versalhes”, a Inglaterra e a França culparam a Alemanha pela guerra e impuseram uma desmilitarização quase total, sem tocar no parque industrial do país. Como vingança, o acordo humilhante, foi assinado pelo novo governo germânico, no Salão dos Espelhos, em Versalhes. Estavam entre os itens do Tratado:
1.        A perda de 1/7 do território com a cessão da Alsácia-Lorena à França, a região do Sarre à Bélgica (rica em carvão) e uma saída para o mar pelo porto de Dantzig (Gdansk) que criou à Polônia e o chamado “Corredor Polonês”. Esta última cláusula dividiu o país em duas partes e inventou a “Prússia Oriental”.
2.        A perda de todas as suas colônias, artilharia e aviação e seu exército limitado a 100 mil homens.
3.        A Alemanha ficava proibida de construir navios de guerra.
4.        Na cláusula econômico-financeira havia uma reparação em dinheiro cujo montante era de 30 bilhões de dólares! Soma esta que pode ser considerada “impagável”. Também se exigia parte de sua frota mercante, locomotivas e reservas em ouro. Esta reparação foi negociada nos anos 20 e extinta em 1932 na “Conferência de Lausanne”.
Através do “Tratado de Saint-Germain”, extinguiu-se o Império Austro-Húngaro, fazendo surgir países como a Hungria, a Tchecoslováquia e a Iugoslávia. A Áustria ainda ficou impedida de unir-se com a Alemanha. Com a Hungria foi assinado o “Tratado de Trianon”, com a Bulgária o de “Neully”. O Império Turco foi desmembrado e dividido entre França, Inglaterra e Itália e criava-se a Turquia. O saldo da Guerra foi de 9 milhões de mortos só na Europa e 13 milhões no total, mais 20 milhões de feridos. O custo ficou assim dividido: 30% para os franceses, 22% para os alemães, 3% para os ingleses, 26% para os Italianos e 9% para os norte-americanos.
A criação da “Liga das Nações” como organismo internacional diplomático no pós guerra foi um grande fracasso, primeiro porque excluía os vencidos e a Rússia, Segundo porque a Europa, além de arrasada e enfraquecida militar, política e economicamente passou a ser subsidiária do único país capaz de dar conta da produção industrial então: os Estados Unidos. Estes, de um isolacionismo quase completo no plano diplomático, passam à posição de maior nação do planeta, desbancando a antiga hegemonia inglesa e assumindo um papel gigante na economia global. Tudo que aconteceria a seguir, em temos econômicos, passa a girar em torno do Tio Sam, que é agora o novo dono do circo, comandante capaz de criar e descriar modas e moldar o capitalismo quase a seu bel prazer.

Filmografia

“Johnny Vai à Guerra”, “Adeus à Inicência”, “Nada de Novo no Front”, “A Grande Ilusão”, “Glória Feita de Sangue”, “Galípoli”, “Uma Aventura na África”, “Coronel Redl”, “Rosa Luxemburgo”.

Plano de Estudo sobre Imperialismo e 1ª Guerra Mundial

1.        Relacione 1ª Guerra Mundial e expansionismo imperialista;
2.        Quais as causas gerais e imediatas da 1ª guerra;
3.        Discorra sobre as rivalidades entre: Alemanha e França, Alemanha e Inglaterra;
4.        O que é pan-eslavismo? De que forma ele está ligado a 1ª Guerra Mundial?
5.        Discorra sobre a formação do sistema de alianças;
6.        Qual a origem e como se desenvolveu a crise do Marrocos?
7.        O Que é “Guerra de Movimentos” e “Guerra de Trincheiras”?
8.        Qual a causa da entrada dos Eua na guerra?
9.        Explique o fim do conflito enfatizando os tratados de paz e como ficou o mapa europeu após o final da guerra

A Revolução Russa 

Foi uma ruptura social e política inédita, sem paralelo histórico. Um país que passou do absolutismo à Ditadura do Partido Proletário Bolchevique, não havendo a fase de poder na mão da burguesia. Ao contrário do que Karl Marx previra, tal evento não aconteceu onde o capitalismo estava mais avançado, mas onde ele mal existia. No início do século XX, a Rússia possuía mais de 150 milhões de habitantes emersos em profundas contradições do “Velho antigo regime”, que na França acabara desde o século XVIII. 40 por cento das terras pertencia à nobreza. As principais classes sociais eram os Boiardos (nobres feudais), a Igreja e os Mujiques, camponeses. O País era tão pobre e atrasado, que em algumas regiões, os povos sequer conheciam o arado. O desenvolvimento industrial existia, mas concentrado em Moscou e São Petersburgo (a capital). O operário russo era o mais explorado do mundo: greves dissolvidas a bala, fábricas enormes, milhares de trabalhadores em cada uma o que dificultava a conscientização. Os partidos políticos eram proibidos, mas existiam de forma clandestina. Havia, entretanto, sindicatos, greves, jornais de oposição, comícios e passeatas e, qualquer um envolvido nisso poderia ir parar num exílio na Sibéria.
O Império Russo era comandado pelo Czar, ou Tzar, russo. O principal foi “Pedro, O Grande” (1862 – 1725), que desenvolveu formas mais eficazes de administração e de educação, buscou tecnologias do ocidente gerando um desenvolvimento entre os séculos XVI e XVII. A maioria dos Czares nunca foram muito de satisfazer as aspirações burguesas. Alexandre III dos século XIX reprimiu também anarquistas e marxistas. Nicolau II, que governava a Rússia no início do século XX, foi até generoso na industrialização, na entrada de capitais internacionais e numa burguesia de fora da Rússia. Havia, sem dúvida, muitos motivos para o descontentamento por parte de várias classes. Não podemos esquecer que metade da população russa era composta de camponeses miseráveis e subjugados pelos nobres feudais.

O Ensaio Revolucionário de 1905

                A Guerra Russo-japonesa (1904-1905) pela disputa das regiões da Coréia e Manchúria, foi particularmente marcante como derrota pelas tropas de Nicolau, e deu razões para os opositores de seu regime. No dia 22 de Janeiro de 1905, ocorreu uma manifestação popular em frente ao palácio de inverno do Czar, cujo objetivo era conseguir uma entrevista com o mesmo para expor queixas e cantando o hino de fidelidade “Deus salve o Czar”, nosso “Paizinho”, como era carinhosamente chamado pela população. Ficou conhecido este episódio como “Domingo Sangrento” pois o Imperador não quis saber de nada. Com raiva por estar sendo perturbado mandou matar a sangue frio todos os que estivessem próximos. Foram centenas de mortos. O acontecimento foi seguido por uma onda nunca vista de protestos pelo país. Houve levantes que geraram grande intranqüilidade e instabilidade política. Também ocorreu o famoso levante do “Encouraçado Potemkim” (transformado em um excepcional filme expressionista homônimo por Sergei Einsenstein) que resultou na sublevação de toda a Frota Russa no Mar Negro, dando uma clara mensagem de que até as forças armadas poderiam abandonar o Imperador.
                Nos “manifestos de Outubro” o povo conseguiu a promessa do Czar de instauração de um Parlamento (Duma) e a formação de sovietes de camponeses e operários. O que se viu, em seguida foi uma violenta repressão à oposição ao regime, e sovietes e um parlamento fracos, sem poderes, inoperantes. Na oposição estavam os “Populistas” (Narodniks), os “Anarquistas” do tipo Bakunin (Niilistas) e os “Social-democratas” (Marxistas”). Estes últimos vinham se convertendo no inimigo mais qualificado do Czarismo. Esta foi a força responsável pelo desencadeamento do processo revolucionário. Mas esta força estava dividida desde o 2º Congresso do Partido Operário Social Democrata Russo (POSDR) em duas facções: os Mencheviques, “menche” significa “menos” em russo, era a ala minoritária do partido; marxistas ortodoxos acreditavam no “etapismo” em que a revolução teria necessariamente que passar por certas fases, como a Revolução burguesa liderada por um parlamento. Seus principais líderes eram Plekhanov e Martov; os Bolcheviques, “bolche” é “mais” em Russo, a ala majoritária que acreditava em uma aliança de classes proletária e camponesa para derrubar o Czarismo. Seus líderes eram Lenin, Trotsky e Stálin e sua organização era baseada em “Soviets”, assembléias democráticas de operários, camponeses e mesmo soldados. Em 1914, essas facções se separariam definitivamente.
                Pode-se dizer que o colapso do Czarismo se daria cedo ou tarde pelo baixo poder que demonstrou ao longo da 1ª Guerra, muitas derrotas nas batalhas, deserções em massa, insurreições populares repetidas, desabastecimento, escassez de comida e partidos de oposição bem organizados e persistentes.

A Revolução Menchevique

                Em março de 1817, cai Nicolau II e instala-se a “República da Duma” sob comando de Kerensky, como governo provisório. Foi uma espécie de Revolução Burguesa mas sem base de apoio, sem compromisso social. Mas a situação não se estabilizou ao nível de Revolução Burguesa, pois a população continuava em terríveis dificuldades e continuava a instabilidade política. Aproveitando a situação, Lênin e Trotsky lançaram o panfleto “Teses de Abril” onde pediam o tripé “Paz, Terra e Pão”, ou seja, a saída imediata da Rússia da 1ª Guerra, uma reforma agrária que atendesse às reivindicações dos camponeses distribuindo terra de verdade, capaz de aumentar a produção e resolver a crise de abastecimento interno.
                A repercussão foi boa, de forma que o PSDOR proclama “Todo Poder aos Soviets” e inicia um recrutamento, sob comando de Trotski em Petrogrado para aquilo que vai se tornar a “Guarda Vermelha”, um exército revolucionário comandado por ele. Estava preparado o caminho para a Revolução. Em Junho de 1917, após uma passeata de 500 mil operários, o governo provisório abriu bala na multidão, fechou os jornais bolcheviques e mandou prender Lênin. Em agosto, Kornilov, um general, tenta dar um golpe de estado para restaurar o Czarismo. Bolcheviques são readmitidos no governo combatem as tropas de Kornilov e obtém respaldo popular.

A Revolução Bolchevique

                No dia 7 de novembro (25 de outubro no Calendário Juliano) os operários comandados pelo partido bolchevique tomaram de assalto os departamentos públicos e o Palácio de Inverno. Na noite do golpe, quase não houve resistência: tudo foi tomado sem luta, a estação ferroviária, central telefônica, telégrafos, etc. É proclamado o “Conselho de Comissários do Povo formado por Lênin, Trotski, Stalin dando todo poder aos Soviets. Inicia-se o governo do homem mais forte do partido, Lênin, que duraria de 1917 até 1924. Filho de um professor secundarista, estudante contestador, exemplo da universidade, acabou se formando brilhantemente em Direito. Possuía profundo conhecimento do Marxismo, era um organizador talentoso, polemista implacável, com uma visão política aguda e perspicaz. Desde jovem meteu-se em atividades revolucionárias. Para ele o socialismo não poderia nascer da atrasada comunidade rural, mas do capitalismo industrial. Falava e escrevia em Alemão, Francês, Inglês, Latim e Grego antigo. Escreveu livros de Economia, Sociologia e Filosofia. Casado com uma professora, jamais teve filhos.
O programa implementado foi de grande radicalidade transformadora. As principais medidas inicialmente adotadas foram: a nacionalização das indústrias e dos bancos estrangeiros, a redistribuição de terras no campo, a assinatura do armistício com a Alemanha ou “Paz de Brest-Litovski”, onde a Rússia abria mão da Letônia, Lituânia, Estônia, Finlândia, Ucrânia e Polônia.
É óbvio que tal postura gerou grande descontentamento interna e externamente ao país. Havia a natural oposição dos “Russos Brancos” (Mencheviques e Czaristas) e dos países “aliados” à Rússia na Guerra que não aceitaram o novo regime com medo do comunismo se espalhar pela Europa, o que já vinha acontecendo. Assim, pressionado interna e externamente, o novo regime vai enfrentar uma violenta “Guerra Civil” que durou até 1921. A vitória dos “Russos Vermelhos” não se deu sem 20 milhões de mortes, crises de abastecimento e uma epidemia de Tifo que matou 3,5 milhões em 1920, tudo isto gerando muito descontentamento e protesto contínuos. O povo foi submetido a um regime chamado de “Comunismo de Guerra” que foi a centralização da alimentação e da produção nas mãos do estado com a eliminação da economia de mercado e o fim do uso de moedas.
Com o fim da guerra Lênin promulga a NEP, ou “Nova Política Econômica”, uma combinação de socialismo e capitalismo onde há o estímulo à pequena manufatura privada, pequeno comércio e livre venda de produtos pelos camponeses, ou, como ele dizia, “um passo atrás para dar dois à frente”. A NEP durou até 1928 e propiciou uma recuperação parcial da economia e a reativação da indústria, agricultura e comércio. Durante este período, em 1923, foi criada a U.R.S.S. ou “União das Repúblicas Socialistas Soviéticas” através de uma constituição comum. Foi uma legalização da união entre diferentes regiões do antigo Império Russo.

Trotski X Stalin

                A disputa pelo poder começa quando Lênin morre, em 1924. Trotski, grande líder do “Exército Vermelho”, de família burguesa, era brilhante orador e intelectual sofisticado, defendia a tese da “Revolução Permanente”, ou seja, deveria haver a difusão do socialismo pelo mundo e isso era tarefa da vanguarda revolucionária formada, principalmente, pelo povo russo. Já Stálin, nasceu na Geórgia, uma nação subordinada ao Império Russo. Pobre, operário na juventude, não teve uma grande formação intelectual. Militante, disciplinado, ótimo organizador, porém, dogmático ao extremo, com horizontes restritos, cínico, desconfiado e implacável com os opositores, sempre defendeu “O Socialismo num só país”, a estruturação de um estado revolucionário forte para, só então, tentar expandir a Revolução para a Europa. Stálin soube, ao longo de seu governo, perseguir e eliminar seus inimigos, principalmente Trotski a quem, depois de assumir o poder, obrigou a se esconder o resto da vida, até conseguir assassiná-lo, no México em 1940.

O Governo de Stalin

                A partir de 1928, o estado soviético entro em um processo de socialização total com a abolição da NEP. Passaram a valer, em termos de planejamento, os “Planos Qüinqüenais”, elaborados pela “Golspan”, órgão especialmente criado para isso, com o objetivo de tornar a nação socialista “moderna e industrial”. No 1º Plano, houve um grande processo de urbanização, a economia perseguiu o aumento da produção de maneira global, houve o estímulo à industrialização (indústria pesada, siderurgia, maquinaria, etc.) e, no meio rural, a coletivização agrícola com a criação dos soukhoses (As fazendas estatais) e os kolkhoses (as cooperativas), o que ele impôs aos camponeses, que não aceitavam seu método centralizador, gerando um menor crescimento da agricultura do que em outros setores. No 2º Plano Qüinqüenal, os reflexos do 1º já podiam ser sentidos. Houve um crescimento da indústria de base (700%) em relação a 1928. A Indústria de bens de consumo cresceu 400%. Houve também uma aceleração do crescimento de maneira global.
                O 3º Plano (1938) foi interrompido por causa da 2ª Guerra, mas o objetivo era o de desenvolver a indústria mais especializada, a química. Após 1945, o regime foi reconhecido internacionalmente e, a URSS emergia como 2ª grande potência mundial. Apesar disso, a falta de Democracia política e a perseguição aos inimigos proporcionados por Stalin, criaram um cenário conturbado para a nação após a sua morte, em 1954. Stalin via a democracia como conceito econômico e não político. Criou um forte culto à sua personalidade em todos os lugares, ele era o “Líder genial” ou “O maior pensador do século XX”, era adorado nos esportes, na escola, no cinema, etc. O país sofreu uma militarização, muito por causa do “cordão sanitário” imposto pelo capitalismo. Partido e estado se confundiram e a burocracia foi acumulando privilégios, criando uma espécie de “burguesia estatal”.
                Para Eric Hobsbawn, a Revolução Russa representou a “luta secular de forças da velha ordem contra a revolução social” que foi uma das marcas políticas do século XX.

Filmografia

“Adeus, Lênin”, Encouraçado Potemkim”, Outubro”, “Os Irmãos karamazov”, “Doutor Jivago”, “O homem de Kiev”, “Reds = Os Dez Dias Que Abalaram o Mundo”, “Stalin”, “O Círculo do Poder”, “Taxi-Blues”, “Moscou em Nova Yorque”, “O Ouro dos Tolos”, “O Sol Enganador”.

Plano de Estudo sobre A Revolução Russa

1.        Comente a situação russa nos anos que antecederam o início da revolução;
2.        Quais os motivos, como se desenvolveu, e quais as conseqüências do “Ensaio Revolucionário de 1905”;
3.        Discorra sobre as diferenças ideológicas entre Mencheviques e Bolcheviques;
4.        Discorra sobre a “Revolução Menchevique” e as “Teses de Abril”;
5.        Quais as principais características do governo de Lênin e o que foi a NEP?
6.        Quais eram os objetivos e como foram desenvolvidos os “Planos Qüinqüenais”?
7.        Escreva sobre a disputa entre Trotski e Stálin:
8.        Reflita sobre a União Soviética: podemos dizer que foi um regime socialista? Por quê?

Os anos 20 e a Crise de 1929

                Ao longo dos anos 20, os EUA eram a maior potência econômica do mundo, possuíam a agricultura mais mecanizada do planeta e uma produção industrial astronômica. Em 1920, a participação dos Estados Unidos na produção mundial era de 85% dos automóveis, 66% do Petróleo, 53% do carvão, 405 do Ferro e Aço e 60% do Cobre e Alumínio. O consumo explodiu, afinal o mundo acabara de passar por uma terrível guerra. A classe média norte-americana investe como nunca na bolsa de valores, cujo crescimento, obviamente, era baseado na hiperexploração dos assalariados. O país passava por um processo de industrialização brutal para que pudesse a nova posição no cenário geopolítico e até as crianças trabalhavam. Os alimentos eram baratos, mas os salários eram baixos. Hávia uma má distribuição de renda, 40% dos ricos detinham a maior parte da riqueza. Havia grande pobreza, favelas, subnutrição, falta de água, esgoto e luz elétrica.
                Tudo isso foi acompanhado pela formação de sindicatos e realização de greves reprimidas violentamente. Em 1886, por exemplo, ocorreu um massacre da multidão de operários em uma passeata em Chicago, no dia 1º de Maio – que passou a ser o dia internacional das lutas dos trabalhadores. O mais incrível é que os jornais apoiaram o linchamento dos manifestantes. Em 1890 foi promulgada a “Lei de Shermam” que proibia qualquer associação que perturbasse o “livre mercado”. Assim, casos como o dos operários anarquistas “Saco & Vanzetti”, em 1927, eram comuns nos EUA. Ambos, apenas por serem líderes operários, foram condenados à cadeira elétrica, com a condenação pela imprensa européia, na época.
                Foram anos dominados por estritos modelos industriais, cujos objetivos eram aumentar a produção com o menor custo possível. Assim era o “Fordismo”, baseado na divisão dos trabalhos entre os operários. Cada um executa uma só tarefa e, com a divisão social do trabalho, produz-se mais rápido, diminuindo o custo. Já o “Taylorismo” pregava o controle estrito do tempo que cada trabalhador demorava para executar sua tarefa. Para aumentar a produção, aumenta-se a velocidade da máquina. Tal paradigma pode ser observado com ironia na seqüência inicial do filme “Tempos Modernos” de Charlie Chaplin.
                Os anos 20, “Anos Loucos” como forma chamados, foi o decênio do Cinema, do Rádio, dos discos que tocam em Gramofone e do Jazz. Tudo aquilo que o mundo era antes da guerra foi negado neste período. Se a música do século XIX era a valsa, a cultura musical buscava, agora, novos caminhos. O “Charleston” foi o ritmo dançante em que os casais podiam até dançar separados! As mulheres passaram a usar cabelos “Chanel”, vestidos curtos e a beber e fumar em público. A polifonia tomou conta da música, todos os instrumentos podiam solar ao mesmo tempo, inclusive os de percussão. Se a música popular, antes, era de origem nobre, agora, todos ouviam uma música simples, criada e tocada por negros pobres norte-americanos. Neste sentido, a expressão artística rompeu com o moralismo e o racismo até então predominantes. O mundo do pós-guerra, tinha de ser, aos olhos da arte, um mundo novo. A pintura diversificou-se em uma série de movimentos como o expressionismo, o cubismo, o surrealismo, o abstracionismo, que rompiam as barreiras entre as artes e se espalhavam pelo mundo.
                Ao mesmo tempo, foi o período da Lei Seca, que durou até 1933, dura repressão ao comércio de bebidas e à diversão. Fez enriquecerem os gangsters e as máfias, aumentando o crime organizado que tinha, na realidade, estrita relação com os poderes oficiais.

A Crise

                Foi um dia 24 de outubro, Quinta-feira, quando as ações começaram a despencar, todos queriam vender, ninguém queria comprar, todos perderam milhões. As pessoas se jogavam de prédios, vendiam valores por preços ínfimos. Os bancos fecharam porque as multidões corriam até eles. Indústrias quebraram, o desemprego se tornou massivo, a classe média ficou pobre, os pobres mais pobres, só os muito endinheirados conseguiram escapar. A crise atingiu também a Europa. Foi a primeira grande crise do capitalismo, conforme Marx previra, o início do desgaste do paradigma liberal na economia.
                A situação piorou nos anos seguintes. Mais de 100 mil empresas faliram, 1 milhão de fazendeiros tiveram que vender seus bens e a produção industrial caiu 50%. 1/3 dos americanos ficaram desempregados.
                Foi uma crise de “superprodução”. Alguns economistas já haviam informado os industriais norte-americanos que, como a produção crescia em um ritmo vertiginoso, o que ocorria para recuperar o tempo perdido na guerra, chegaria um ponto em que a demanda ficaria abaixo da oferta. Mas a euforia impediu os produtores e o governo de perceber, apesar das advertências, que essa crise, já anunciada nos anos anteriores, chegaria em 1929. Assim, a solução foi uma diminuição drástica na produção, acentuada pelo não consumo gerado pelo desemprego, enfim, a crise foi a abundância gerando miséria e, depois, a miséria que gera mais miséria, como numa bola de neve.
                Mas, em 1932, depois de anos terríveis, é eleito um democrata para a presidência dos EUA. Franklin Delano Roosevelt, decretou “o fim do liberalismo” e constituiu um estado forte e altamente interventor na economia, com a ajuda de um economista desconhecido até então, John M. Keynes (1883-1946). O governo americano passou a investir em obras públicas como aeroportos, hidrelétricas, estradas, reflorestamentos, gerando grande número de novos empregos. O dinheiro vinha de empresários que, sem terem onde investir, “emprestavam” o dinheiro ao estado de forma compulsória. O governo passou a controlar rigidamente a Bolsa de Valores e os bancos. Fizeram-se leis de proteção social e construíram-se casas populares. Alimentos eram estocados e queimados pelo governo para evitar a queda de preços. Essa receita foi adotada, praticamente, por todos os países no mundo, que passaram a acrescentar, novamente, um item em sua produção: a indústria bélica.
                Essa saída para a crise foi chamada de New Deal ou “Novo Acordo”. Provava-se que a crise ocorrera pelo desgaste do capitalismo liberal porque, a saída para essa crise foi, simplesmente, aquilo pelo qual os liberais têm hojeriza: a intervenção massiva do estado na economia. Do outro lado do mundo, isolado por um “cordão sanitário” um outro país, em largo crescimento, se mantinha alheio à crise, a URSS. Sem desemprego, os soviéticos constituíam de fato uma ameaça ao capitalismo na mediada em que provavam que era possível seguridade social estando fora do capitalismo. E este é um dilema com o qual o sistema terá concretamente que lidar daqui por diante, demanda que será a causa decisiva para desencadear a 2ª grande guerra.

Filmografia

“Saco & Vanzetti”, “O sol é para todos”, “Era uma Vez na América”, “O Círculo da Vício”, “Ragtime”, “Os Intocáveis”, “Vinhas da Ira”

Plano de Estudos sobre a Crise de 29 e Os Anos 20

1.        Explique as causas que levaram o mundo a chegar à Crise de 1929;
2.        Como estava a economia norte-americana nos anos 20?
3.        Por que os Anos 20 foram chamados de “Anos Loucos”?
4.        Quais foram as conseqüências da Crise de 1929?
5.        O que foi o “New Deal”?  

PROJETO PAISAGEM FOTOGRÁFICA

Escola Estadual de Ensino Médio Pe. Reus

Disciplina: Geografia

Professor: Lawrence Nectoux David

Março de 2009

 

Projeto Paisagem Fotográfica

Quem? Turmas 211, 212 e 213

 

Justificativa

 

            A compreensão de diferentes linguagens é uma competência fundamental no mundo contemporâneo. Nessa sociedade informacional somos diariamente bombardeados por enorme quantidade de saberes que se utilizam das mais diferentes linguagens. O uso da imagem, hoje em dia, é quase tão importante quanto o de palavras. Vivemos em um mundo imagético e para decifrá-lo precisamos estar familiarizados com algum conhecimento acerca de como as imagens são produzidas, selecionadas e chegam até nós, através dos meios de comunicação como televisão, propaganda ou internet.

            Trabalhar com a fotografia é uma oportunidade de introduzir os educandos nesse universo fascinante do ícone. Fazê-lo produzir suas próprias imagens é uma maneira adequada para conduzi-lo a compreender a língua visual mais do que qualquer outra, pois ele deparar-se-á com o meio de comunicação desde a fonte primeira, isto é, a captação e produção da peça visual, pensando e refletindo sobre o que fez e dividindo tal feito com os colegas e com a comunidade escolar.

            Simultaneamente poderá compreender a Paisagem Geográfica, na medida em que criará sua própria visão desse conteúdo curricular. Assim, esse projeto justifica-se como a união de competência e conhecimento, mais propriamente a competência informacional e o conhecimento geográfico.

 

Objetivos

 

1)      Introduzir o estudante no fascinante mundo da fotografia digital a partir da produção de imagens fotográficas;

2)      Dotar o estudante de conhecimentos técnicos acerca da fotografia tais como enquadramento, planos, utilização da luz e de recursos da máquina digital como velocidade de disparo, obturador, tempo de exposição, uso do flash, etc.

3)      Fazê-lo compreender a paisagem fotográfica na medida em que cada um terá que fotografar suas próprias paisagens para incluí-las no projeto;

4)      Produzir fotografias de qualidade para se tornarem uma exposição a ser apresentada para a comunidade escolar em data a ser combinada;

5)      Fazer os estudantes refletirem sobre a importância da imagem no mundo atual, aprendendo a analisá-las e também a produzi-las com um fim determinado;

6)      Fazer os educandos compreenderem a dramática transformação da paisagem natural em artificial pela qual nosso mundo vem passando;

7)      Dotar os educandos de senso crítico em relação às transformações do espaço geográfico no mundo de hoje e em outras épocas;

8)      Criar um vínculo afetivo entre os estudantes de turmas de 1º ano que pouco se conhecem, bem como entre estes e o professor de geografia e a disciplina;

 

 

Metodologia

 

            Em primeiro lugar, o professor falará de sua experiência como fotógrafo amador, mostrará uma série de fotos das quais gosta aos estudantes a fim de impressioná-los, e atrai-los para o mundo da imagem e da fotografia. Em seguida, algumas aulas sobre fotografia serão ministradas. Noções gerais de como enquadrar uma imagem, como captar bem a luz utilizando os recursos da máquina fotográfica serão postulados.

            Simultaneamente o professor estará adicionando aí conhecimentos geográficos como a transformação do espaço e da paisagem, quais os motivos que levam a isso. Muitas imagens serão mostradas e conversar-se-á sobre o assunto. O livro de geografia será utilizado, exercícios com imagens serão feitos.

            Então, será pedido ao educando que comece a fotografar, muitas fotos, de preferência, para derem escolhidas as duas melhores: Uma de uma paisagem natural e outra de uma artificial. As imagens não devem ser retocadas em fotoshops. O estudante deve produzi-la em sua própria Câmera e mostrá-la ainda nesta, ao professor. Uma vez selecionadas as fotografias de todos, monta-se a exposição, criando-se legendas e/ou textos para cada uma das fotos.

            A avaliação será feita no sentido de incentivar o educando a continuar fotografando. A qualidade será avaliada na medida em que o aluno atingir os objetivos mínimos do projeto, mas acredita-se que pela familiaridade que se possui hoje com o meio digital, pode-se ir bem além disso.

 

Calendário

 

            Serão aceitas fotografias entregues até o fim do mês de abril de 2009, diretamente ao professor em CD-R, pendrive, ou mandadas diretamente para o e-mail do projeto:  paisagemfotografica@gmail.com, mencionando o nome, a turma e o local onde tirou a fotografia.

domingo, 8 de março de 2009

A Economia Globalizada

Por que a Guerra Fria Acabou?

  O Colapso do Bloco Soviético foi, juntamente com a 3ª Revolução Industrial, o acontecimento histórico mais definidor do atual momento da Sociedade Humana. As conseqüências desses dois fatos somados representaram uma mudança significativa dos arranjos políticos e econômicos em um nível mundial. O efeito principal foi uma hegemonização do Capitalismo como único sistema presente, sem inimigos fortemente ameaçadores.

Com a desarticulação da grande alternativa para economia de mercado, a economia socialista, que havia rivalizado em termos produtivos durante quase toda a Guerra Fria, o Capitalismo ganhou um grande espaço. Em menos de dois anos, de forma rápida e quase inesperada, o Bloco Socialista ruiu e no lugar, em muitos casos, se instalou um governo ultraconservador de cunho radicalmente liberal. O Estado soviético que havia sido o pai e mãe de um terço dos habitantes do planeta, simplesmente desapareceu ou foi vendido, inclusive a preços muito baixos. Assim, parcela significativamente grande das populações de dezenas de países passou a um estado de falta de emprego, comida e moradia. Tal contingente populacional tornou-se mão-de-obra barata nos países capitalistas vizinhos, principalmente os da Europa Ocidental, que gozavam de uma situação confortável no cenário mundial, apesar das crises que abalaram a Ásia, especialmente o Japão, em fins dos anos 80.

O Mundo sofria de uma certa desaceleração da Economia, mas ainda havia a garantia direitos relativamente amplos a trabalhadores de nações como a França, a Alemanha Ocidental, Itália ou mesmo a Inglaterra que sobrevivera ao Furacão Tatcher. Os empresários europeus não demoraram a perceber que poderiam obter mais lucro se substituíssem a velha mão-de-obra bem assegurada socialmente por outra, que tinha uma certa qualificação, e que estava desesperada pela situação em que se encontrava seu país de origem. Com a intensa migração do leste para o oeste europeu, as empresas européias investiram na substituição dos franceses pelos búlgaros, dos alemães pelos russos ou bielorussos, e assim por diante, variando em maior número de lugar para lugar. Isso gerou desemprego também na Europa Ocidental, sendo que fenômeno semelhante ocorreu, ao longo dos anos 90 com os Estados Unidos em relação ao México ou sul americanos.

Além disso a Revolução Científico-Tecnológica, a introdução da tecnologia digital em todos os setores da vida humana, provocou, inicialmente, efeitos econômicos, com implicações sociais e políticas: a substituição crescente, principalmente na indústria, de trabalhadores por máquinas e robôs. As Indústrias automobilísticas, por exemplo, que já haviam sustentado a economia de centenas de cidades ao redor do mundo, passaram a cortar o número de empregados em quase 1000 por cento, gerando miséria. Acrescido a isso, com o capitalismo em franca expansão liberalizante, empresas de todos os continentes, passaram a procurar em áreas de todo o globo por trabalhadores baratos, se possível até escravos, ou crianças, sem direitos trabalhistas quaisquer.

Tais acontecimentos resultam em uma “Nova Ordem Mundial”, de recessão, emperramento econômico, grandes dificuldades sociais e o ressurgimento de conflitos éticos-raciais por todo o globo, com implicações em grandes guerras, que estão entre as mais cruéis da História.

 

A Nova Ordem Mundial

 

Os Estados Unidos ressurgem com única superpotência em início dos Anos 90. Em 1991 receberam amplo apoio da Onu e Otan na Guerra do Golfo, quando se aproveitaram para ampliar sua influência geopolítica na região. Jactaram-se como grande nação econômica e política até meados da década de 90, ampliando sua esfera de influência por todo o globo terrestre. O (neo) liberalismo defendido por Reagan e Tatcher nos anos 90, ampliou seu alcance, se tornando a principal ideologia em nível global. Os mercados, principalmente de países subdesenvolvidos se abriram para a exploração tecnológica e econômica de países mais ricos, ampliando a situação de pobreza e concentração de renda em nível global. Mas esse fenômeno tornar-se-ia mais complexo a partir de meados da década. Após mais de 200 anos de estabelecimento, a ordem anglo-saxônica foi desafiada como hegemônica pois o desenvolvimento asiático capitaneado pela China atingiu um patamar competitivo em relação à economia norte-americana, dando condição aos Chineses de desafiarem a ordem em termos políticos. Acresce-se a isso a lenta recuperação da Europa e da Rússia.

A China consiste em um modelo alternativo, cuja organização societária é parcialmente contraditória ao liberalismo individualista ocidental, gerando um universo social diferenciado. Os analistas não ousam mais chamar de fenômeno embrionário de modelo híbrido – interno e externo ao sistema, socialista e capitalista ao mesmo tempo – com autonomia político-militar. O Poder e as altas taxas de crescimento chinês são uma realidade marcante hoje, bem como a independência da Europa em relação à mundialização do capital (tornando o Euro candidato a moeda forte). A conseqüência é uma  espécie de Choque de Civilizações, com o esgotamento do ímpeto expansivo do ocidente.

Os Anos 90 começaram com as promessas de tempos melhores, com mais justiça social, mas o que se viu foram alguns dos conflitos que estiveram entre os mais violentos e brutais do século XX; conflitos étnicos e generalizados; ao fim da década já havia uma redução na apologia ao liberalismo que reinou absoluto logo após o fim do socialismo real. Em 2008, a nova grande crise do capitalismo, que já está sendo comparada com a de 1929 (é até pior) espera-se um arrefecimento do neoliberalismo e uma maior proteção dos países às suas economias internas, reduzindo a velocidade da globalização.

O Fim da Bipolaridade destruiu a ordem estruturada em Versalhes e Ialta, fazendo o mundo retroceder politicamente a um contexto semelhante a 1914. Emergiram os conflitos violentos. O Iraque invadiu o Kuwait, a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) invadiu o Iraque; ocorreu o desmantelamento da Iugoslávia, ressurgiu a instabilidade entre Árabes e Israelenses, começaram as pressões ocidentais para que o Irã se integre ao bloco capitalista, o sul da África está aparentemente mais estável após o fim do Apartheid. Simultaneamente reaparecem as tendências regressivistas, os micronacionalismos, a xenofobia, o neonazismo, as crises sócio-econômicas, diminuindo a margem de ação dos governos continuamente. Os extremismos surgem como resistência dos desesperados que já perderam tudo com a globalização e o neoliberalismo.

O Desemprego estrutural é uma realidade em todo o planeta. Ocorreu uma drástica redução dos postos de trabalho, acompanhada do crescimento de setores de ponta, que empregam tecnologia avançada. A concentração de renda atingiu níveis alarmantes. Segundo o PNUD (Programa Nações Unidas para o Desenvolvimento), em 1992, 82,7% da riqueza estava na mão dos 20% mais ricos, e 1,4, na mão dos 1,4% mais pobres; em 1996, 85% está na mão dos 20% mais ricos. Isto representa um bilhão de pessoas sem lugar no mundo capitalista, excluídas da economia mundial. Obviamente, só poderia esperar-se reações perigosas e desesperadas por parte dos perdedores devido à grande exclusão social, uma espécie de Apartheid globalizado.

A Primeira década do Novo Milênio está sendo decisiva politicamente na medida em que agudizam as tensões surgidas no decênio anterior. Os rumos das relações internacionais já estão mudando: China, Rússia e a Franco-Alemanha resolveram desafiar a grande potência Estados Unidos. Na segunda Guerra do Golfo isto, já ocorreu. Depois do 11 de Setembro, os norte-americanos, cuja economia está fortemente ameaçada pela concorrência, partiram em uma “guerra contra o terror”, cujo verdadeiro objetivo é o de ganhar fôlego econômico através de uma política essencialmente belicista. Na Invasão do Iraque, em 2003, A OTAN, toda poderosa organização militar dos países do hemisfério Norte, ficou dividida. Poucos aliados ousaram apoiar os EUA. No Afeganistão, um pouco antes, ocorreu fenômeno semelhante.

Apesar disso, os Estados Unidos ainda detém o controle financeiro do planeta porque seu governo representa as megaempresas que controlam o comércio e a produção internacional. Ao mesmo tempo, são a grande potência militar, a qual ninguém até agora ousou desafiar diretamente, Estão, continuamente, em busca de “espaço vital” para a expansão. Durante o governo Bush filho tiveram amplo apoio Inglês e de sua própria população. Os alvos potenciais são os países terceiro-mundistas da Ásia e da América latina, acusados de terrorismo e passíveis de uma intervenção a qualquer momento, ainda que sem o aval dos inspetores da ONU e do Conselho de Segurança da entidade. Internamente, entretanto, a superpotência enfrenta um desemprego estrutural, uma crise financeira sem precedentes e uma concentração de renda ainda maior. Simultaneamente, sobretudo após a nova invasão do Iraque com o número elevado de mortes de soldados enviados e residentes no Golfo Pérsico, surgiu um novo pacifismo emoldurado pelo mais esmagador apoio popular da história com repercussões por todo o mundo. Aos poucos, o governo viu-se encurralado entre as dificuldades econômicas e as pressões políticas. Bush não conseguiu eleger seu sucessor e Barack Obama recolocou os Democratas no poder após 10 anos de predomínio republicano.


O Aprofundamento da Globalização

 

A Globalização foi o elemento central da História mundial dos anos 90. Com o aumento da concorrência, uma maior competitividade multiplicada e condicionada pela 3ª revolução Industrial, também chamada de Revolução Científico-tecnológica, houve um aumento do comércio internacional num percentual superior ao aumento da produção e do comércio dentro dos países.

O atual impulso globalizante começa nos anos 50, com a expansão de empresas multinacionais, as grandes corporações, em uma organização internacional em que os benefícios dessas empresas saltam por cima das barreiras dos estados nacionais. A Globalização é penetração do capitalismo em extensão, sobretudo após o colapso do bloco soviético, no leste, no terceiro mundo e em sociedades arcaicas, pois a partir daí não há alternativa ao capitalismo. Sua penetração se dá também em profundidade, pois qualquer valor não-capitalista é desimportante. Nas sociedades globalizadas os valores são os do total individualismo. Economicamente, o discurso é o do Mercado e o principal agente são os investidores que aprovam e desaprovam regimes, movimentando especulativamente suas fortunas. A  finaceirização – aprofunda-se. Os bancos e os setores produtivos confundem-se cada vez mais e há uma anonimização do controle do capital. Cada vez mais uma minoria, os donos das 20 maiores empresas do mundo, controlam o planeta. O território de todo o globo terrestre ocupou o lugar do antigo Estado-nação cujos limites em expansão eram as fronteiras do próprio território nacional. A antiga burguesia nacional concede o lugar às magacorporações. As megafusões concentram capitais e poder econômico com nunca antes ocorreu: empresa e empresa, laboratório e laboratório, banco e seguradora, indústria e televisão, Frankensteins que dirigem bancos, setores de serviços, indústrias, agronegócios, extração de matérias-primas e redes de comunicação (é o fim da Imprensa Livre). A Mobilidade Predatória compensa a queda dos lucros. O lucro agora provém do capital especulativo que suga as economias impondo os altos juros e some da noite para o dia quando o risco-país dispara. Os Estados Nacionais ainda se sustentam com algum poder político, mas economicamente, cada vez mais, dependem do capital financeiro.

 

O Neoliberalismo


É uma corrente de opinião econômica que pregou, com sucesso, a remoção de barreiras inerentes à soberania dos Estados-nação com um discurso livre-cambista ao longo dos últimos 20 anos se tratando de um ferrenho antiestatismo. A ideologia neoliberal acabou, defendida por grupos de intelectuais burgueses desde os anos 50, não ficando só no papel. Com o fim da U.R.S.S. e a inexistência de uma alternativa plausível ao capitalismo, o que se sucedeu foi a adoção por governos de todo o mundo de medidas neoliberais: privatização de empresas nacionais, políticas explícitas de redução de salários, eliminação de postos de trabalho e o esmagamento de direitos sociais conquistados com imensos sacrifícios ao longo de mais de um século, o desmantelamento dos sindicatos.

A criação de um exército de desempregados enfraqueceu ou mesmo destruiu as bases operárias organizadas. A fome e a recessão, desemprego crescente geraram conflitos sociais violentos e generalizados. Toda a difusão e implantação de regimes que adotaram a doutrina neoliberal se deu com amplo apoio da grande Mídia Ocidental que representa as grandes corporações. Há que se destacar o importante papel representado por organismos como o FMI (Fundo Monetário Internacional) e o Banco Mundial, que, ao socorrerem países desesperados por crises financeiras, impõem um alto custo social. Mais recentemente também, a OMC (Organização Mundial do Comércio) passou a se constituir em mais um elemento de pressão dos países centrais aos emergentes e subdesenvolvidos, com os acordos de comércio internacional que reduzem crescentemente os subsídios governamentais como incentivo à produção e forçam a abertura aos mercados hegemônicos liquidando barreiras alfandegárias, principalmente em países periféricos. Os estragos feitos nas economias dos países com experiências neoliberais foram grandes. As causas gerais são uma espécie de crise da civilização após o fim da URSS, e a luta pelo controle social dos efeitos desagregadores da revolução científico-tecnológica sobre a produção, a sociedade e as relações internacionais. Como ações defensivas, os países operaram integrações supranacionais em escala regional e discurso livre cambista criando os Blocos Econômicos.

O Neoliberalismo nas Nações Hegemônicas fez sua estréia na Inglaterra, a primeira das Nações mais ricas do globo a sofrerem os efeitos da ideologia neoliberal. O Governo de Margareth Tatcher, a “Dama de Ferro” usou os expedientes da contração monetária, aumento das taxas de juros, diminuição dos impostos sobre as grandes fortunas, aboliu os controles sobre os fluxos financeiros criando desemprego massivo. Aplastou greves impondo uma nova legislação anti-sindical ao mesmo tempo que cortou gastos sociais. Já  nos EUA o governo de Ronald Reagan operou dentro de uma diferente perspectiva, uma vez que o país não possuía propriamente um estado de bem estar social similar ao europeu. Reduziram-se os impostos aos ricos e elevaram-se juros, sem respeitar a disciplina orçamentária, gerando o maior dos déficits públicos conhecidos até então, aprofundado pela ferrenha corrida armamentista.

Na América Latina Cuba resiste à penetração do capitalismo e mantém seu regime socialista que ainda possui alguns dos mais elevados índices sociais do continente, sobrevivendo através da exportação de produtos primários. Recentemente, com a substituição de Fidel Castro por seu Irmão Raul, a economia da ilha parece não resistir mais à pressão do capital e à globalização, pressionada pela insatisfação interna. Nos anos 90, a América foi tomada pela onda neoliberal, decantada como “o único caminho a ser seguido” com amplo apoio midiático e aquiescência eleitoral das classes médias. O exemplo mais antigo de neoliberalismo é o Chile de Pinochet, considerado um pioneiro no ciclo Neoliberal da História Contemporânea. Além da desregulação e do desemprego massivo, houve severa repressão sindical, concentração de renda e larga privatização dos bens públicos.

Na década de 90 as empreitadas neoliberais atingiram quase todos os outros países, começando pela Argentina de Menem, O Peru de Fujimori e o México de Salinas. A conseqüência do decênio Menem (89/99) foi aquilo que conhecemos: a mais brutal crise econômica, política e social da História Argentina. O caso peruano foi enigmático politicamente porque deu poderes ditatoriais a Fujimori, acima do próprio Parlamento, criando uma espécie de “Ditadura Tardia”. Já o México foi “anexado” como um sócio menor do NAFTA (North Americam Free Trade Area – Área de Livre Comércio da América do Norte) com a costumeira crise social. Não escapou desse ciclo o Brasil que desde o governo de Fernando Collor de Mello (1990/1992), passando pelo ano e meio de Itamar Franco e, principalmente, os oito anos de Fernando Henrique Cardoso (1994/2002) teve um considerável dilapidamento do patrimônio estatal, aumento da taxa de Juros (a mais alta do mundo), aumento das dividas internas e externas, aumento do desemprego em quase 200%, dependência do capital especulativo, etc. Assistimos, estupefatos, à alta criminalidade e a violência social. Observamos as revoltas populares na Argentina, Bolívia, Venezuela, Haiti e Equador e o surgimentos de Movimentos de Guerrilha organizados e que conquistam territórios livre como o dos Zapatistas no México e as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) na Colômbia.

Na antiga União Soviética e Leste Europeu, o neoliberalismo fez-se conhecer após a queda da URSS, que ocorreu justamente em um momento em que a ideologia chegara ao seu limite nos países de capitalismo avançado. Não houve neoliberais mais intransigentes do que os “reformadores” do leste. Essas lideranças preconizaram e realizam reformas mais rápidas e mais profundas dos que as que haviam se realizado no oeste. O resultado é uma brutal crise econômica com conseqüências sociais drásticas e imprevisíveis. Nove dos quinze países da ex-URSS tiveram taxas de inflação superiores a 1000% em 1993. O índice médio de queda do PIB foi de 15% no mesmo ano. A queda da produção no período dos dois anos anteriores foi de 38%. Um grande contingente de desesperados começou, então, sua tarefa de migração para países do oeste. A ressignificação brusca do papel do estatal se reflete no sucateamento do próprio estado. Moscou repassa para a China, Irã e potências médias, armas modernas e tecnologia espacial, nuclear e de mísseis. Há um êxodo de cientistas, contrabando ilegal de armas e plutônio, e poderosas máfias internacionalizadas. Os impactos sociais causados pela entrada de novos estados na economia de mercado originaram os nacionalismos xenófobos, separatismos étnico-regionais e movimentos de extrema-direita. O melhor exemplo é a Iugoslávia que se dividiu em Eslovênia, Croácia (as primeiras a se tornarem independentes), Bósnia, Sérvia (crise das províncias étnicas como o Kosovo) e Montenegro, além da Independência da Macedônia. Os neocomunistas moderados voltam ao poder em 1993, como conseqüência das desastradas “adaptações ao capitalismo”. Hungria, Polônia e Lituânia se converteram a Social-Democracias para entrar na União Européia.

A Formação de Blocos Econômicos e a nova correlação de forças

Há uma tendência Multilateral  que presenciamos nestes tempos de Globalização, um aumento da competição entre os vários pólos do Capitalismo mundial de uma forma radical. Transitamos de uma situação onde só havia dois blocos – um socialista e um capitalista – para uma onde há várias vertentes de poder econômico e político. Há várias nações com grande potencial que procuram sutentar-se na criação de Blocos como o NAFTA (área de Livre Comércio da América do Norte), o Mercosul e a União Européia, são os Megablocos, que se baseiam na liberação comercial entre países, articulada através de um protecionismo regional. Neste sentido, são estágios intermediários entre o nacional e o global com a redução dos papéis dos estados nacionais. 85% das trocas mundiais já ocorrem sob alianças pré-estabelecidas.

Aos poucos, vimos ressurgir um Multilateralismo. Os EUA, como estratégia preferencial disponível, têm a atração para a América Latina através da implantação de uma área de Livre Comércio hemisférica que é fundamental para a economia norte-americana se tornar competitiva (a ALCA). Para tal feito, os EUA adotaram a Estratégia da Lagosta: o Nafta é a cabeça, a América Latina e o Mercosul, o rabo, a retaguarda, a reserva de recursos, e as garras se projetam sobre o Pacífico (Tigres e China) e o Atlântico (Europa). Voltam-se também para o Petróleo e o controle geopolítico do oriente médio, colocando no “eixo-do-mal” qualquer nação do leste que tenha tendências comunistas ou anti-capitalista, seja de cunho étnico ou religioso. É o conflito de interesses entre ricos e pobres travestido ideológicamente.

Com o desmantelamento da bipolaridade a tendência predominante foi, em princípio, um arranjo monolateral. Os EUA não possuíam um adversário à altura no início dos anos 90. Mas em meados da década, o panorama começou a mudar. Geopoliticamente o globo assumiu uma feição multipolar, a partir de um período de transição, pós-hegemônico. Os pólos econômicos e políticos Ásia, EUA, União Européia, enfrentam uma tensão crescente entre si, conforme já mencionado no início do texto. No caso dos EUA, a fraqueza econômico-tecnológica foi compensada pela superioridade nuclear estratégica, intervencionista e diplomática, além do domínio dos organismos internacionais financeiros e o desrespeito crescente às posições asuumidas pelo organismo idealizado por ele próprio, a Organização das Nações Unidas.

A União Européia é a Europa dos 15, dos 22, depois dos 30 países, cuja integração está intimamente ligada à Guerra Fria (oeste-européia). O fim desta gerou instabilidade: migrações, fragilidade político-social, antagonismos regionalistas, desequilíbrios macroeconômicos, xenofobia, nacionalismos, ressurgimento da extrema-direita, altas taxas de desemprego, desgaste dos sistemas políticos. Como salvaguarda, ¾ do comércio ocorre entre eles próprios. Representam uma resistência ao dinamismo asiático, poderosa e complexa, diversificada e quase auto-suficiente. São potencialmente responsáveis por reações neo-hegemônicas à declinante economia norte-americana. Mas os países membros “menores” são obrigados a fazer severos ajustes para integrarem-se, evidentemente em situação desfavorável. Tal situação agrava os conflitos sociais iniciados com as migrações e a “invasão dos países do oeste” (sócios majoritários), dentro e fora destes.

No Condomínio franco-alemão, a Alemanha é o parceiro econômico e a França o estratégico-miltar. O nacionalismo francês gera intervenções na África com o apoio ao governo Argelino que luta contra os fundamentalistas, retoma testes atômicos no Pacífico, voltando a participar da OTAN (1995), além de promover um retorno da extrema-direita de Le Pen em 2002. Recentemente, grandes parcelas da população francesa realizaram protestos contra reformas de legislações e na educação de cunho neoliberal. Já a Alemanha Federal adquiriu um grande peso econômico e demográfico na Europa, desequilibrando a integração. Com a tual crise, em virtude dela ser um pólo tecnológico, este país passará por um ciclo de grandes manifestações de rua como protesto às demissões em massa geradas pela redução drástica da produção industrial.

 A Inglaterra tem adotado uma postura pró norte-americana, pois possui intimidade econômica com o Tio Sam. Há uma pressão norte-americana que vem ocorrendo desde a cooperação da União Européia com o Mercosul e o leste asiático, e também com a criação da moeda, o Euro, em 2002. Assim, este país vem optando em atrasar a unificação européia para não perder tradicionais parceiros mais ricos e poderosos como os EUA.

 A Europa foi obrigada a arcar economicamente com a inclusão dos países socialistas. A subordinação à política global norte-americana tem gerado enormes dificuldades para articulação de políticas autônomas; estão sempre seguindo os EUA ou os Tigres. Apesar das dificuldades, podemos considerar a União Européia como o mais autônomo dos blocos, possuindo vínculos privilegiados com países da África-Caribe-Pacífico. Existe também, a projeção Alemã para o leste ampliando o espaço comunitário.

A Bacia do Pacífico é uma região cujo centro da dinâmica econômica é formado por China, Japão e Tigres Asiáticos (Tailândia, Indonésia, Coréia do Sul, Malásia, Taiwan – ex-Formosa – e Filipinas). Juntos, podem ser considerados como o pólo mais promissor do mundo capitalista.

·   Japão  Tóquio recebeu apoio norte-americano para reconstruir-se pós Segunda Guerra, ajuda que nos outros países do bloco foi mais tardia e em menor escala. A valorização do Ien deu-se através da transferência de setores industriais dos japoneses aos Tigres e também devido aos vários superávits obtidos no fim dos anos 80. A alta produtividade nipônica tem sua origem no método Kanban de gerenciamento, cujo alicerce é a extensa jornada de trabalho. Seu apogeu se deu em fins dos anos 80, mas as crises na economia mundial no início dos anos 90 colocaram a economia nipônica em grave crise que ainda não foi superada. Segundo PIB do mundo, os japoneses são uma das nações mais tecnológica e socialmente avançadas do planeta.

·   Tigres e China – De apoiadores da China, os Tigres passaram a concorrentes, estendendo o processo Cino-Coreano-Nipõnico ao sudeste asiático. Esta é a região que mais cresce economicamente no mundo, em torno de 13% ao ano, nos primeiros anos da década de 90, com oscilação, mas sempre mais que os EUA e aliados, que retiraram as vantagens concedidas à região (a resposta foi a asianização do desenvolvimento). A crise japonesa em meados dos 90, provocou um terremoto financeiro nos tigres mais dependentes (Tailândia, Indonésia e Coréia do Sul), causando a compra de empresas a baixo preço e pressões para a fragmentação da China e contra a Indonésia. A região apresenta um promissor crescimento, comparado à lentidão da produção no Atlântico Norte

 

Os EUA consomem cada vez mais mercadorias industrializadas, vindas da Bacia do Pacífico, endividando-se interna e externamente. Clinton chegou ao Déficit 0, com algum crescimento econômico. O que fez foi uma reorientação econômica através de uma redução de despesas armamentistas. George Bush voltou a lógica do investimento em armamentos, principalmente após o 11 de setembro, tornando mais contundente a política intervencionista militar de seu antecessor, obviamente com fins econômicos, fenômeno que parece ter se esgotado, haja visto sua derrota eleitoral. Qual será a política de Obama? Provavelmente, pelas primeiras medidas, além de um auxílio ao setor privado, o corte de gastos públicos e o retorno ao velho “New Deal” investindo o dinheiro governamental e a poupança privada em obras públicas para gerar empregos, principalmente de infraestrutura, movimentando a roda da economia, sem medo da inflação, que certamente virá. Muito diferente de Bush, que não se importou com o déficit crescente e apostou tudo na aquiescência do povo americano à “Guerra contra o Terrorismo”.

No caso do Mercosul, originalmente era a integração do Brasil e da Argentina desde a Segunda metade dos anos 80, se aprofundando a partir do governo Collor em 1991. Posteriormente, a inclusão do Uruguai e do Paraguai fez despencar as tarifas no Brasil e na Argentina. Agora entrou a Venezuela do Chavez, o Equador, e a Bolívia do Evo Moralez. Tudo para tentar escapar da ALCA, que seria o Mercosul sob direção norte-americana. A União Européia pressiona pela permanência do Mercosul, que desafia os EUA e a ALCA através do reforço Venezuelano e Boliviano. Trata-se da expressão econômica de um novo panorama político: Uma América menos submissa desponta nos governos de Hugo Chavez, Nestor Kirchner (agora Cristina, a esposa) e Evo Moralez – e a decepção relativa do de Lula.


A Transnacionalização da Produção


 que compramos no supermercado hoje e nos últimos anos, foi fabricado onde? Para onde serão vendidos produtos fabricados no Brasil? Se vende em todos os lugares e cada uma das partes dele pode ser feita em uma parte diferente do mundo. Por que isso está ocorrendo? Porque exportar é atividade paga em dólares, que é a moeda preferida dos investidores, sendo considerada “a mais segura”, mesmo sendo os EUA a nação com a taxa de juros mais baixa do mercado. O Euro, por causa da situação dos EUA, parece estar subindo de cotação, nesse sentido. Ocorre também uma intensificação da produtividade com o aumento de lucros dos empresários internacionais. Alguns expedientes usados são a existência de paraísos fiscais e o uso de mão-de-obra infantil e escrava. A quebra dos direito trabalhistas, com a assinatura de contratos individuais e o conseqüente sucateamento dos sindicatos ocorre justamente porque o fim do trabalho no país significa que os postos de trabalho foram perdidos para uma outra nação. Aparece uma Nova Divisão do Trabalho, baseada na terceirização da mão-de-obra, conseqüência do fim dos direitos sociais. Ocorre uma desterritorialização da produção com a queda dos salários em todo o mundo, empregos a um custo menor para o empregador, o que ajuda, junto com a tecnologia, a eliminar postos de trabalho. A mudança interna nos países é para um Nova Divisão do Trabalho Internacional onde nações emergentes perdem espaço para as mais desenvolvidas e poderosas que têm mais condições de se adequar rapidamente às novas condições.


O Mundo Atual


Em fins dos anos 90, despontam Forças anti-neoliberalismo. Com a redução de poder do estatal e a euforia privatizante, ocorreu um ressurgimento da Sociedade Civil organizada como protagonista social, ocupando um espaço que antes ficava mais na esfera do Estado, agora, no “mercado”. As ONGs, o chamado “terceiro Setor”, representam interesses que, por décadas, ficaram fora da ordem do dia no âmbito governamental: preservação ambiental e desenvolvimento sustentável, segurança alimentar e direitos humanos, justiça social e distribuição de renda, psicologia escolar, uma série de “novos” assuntos na pauta política, que representam, na prática, novas estratégias populares frente à globalização. O Fórum Social Mundial, por exemplo, realizado em Porto Alegre e outras partes do mundo no mês de janeiro, representa certa persistência, uma pedra no sapato na agenda dos grandes organismos internacionais cujos interesses estão melhor representados no Fórum Mundial de Davos, na Suíça. No Plano de Relações internacionais, abre-se um espaço, tanto em países orientais, árabes ou Islâmicos, além dos sul-americanos, para adoção uma política externa agressiva, a articulação de organismos contra-hegemônicos como o G20 em oposição ao G8, questionando os princípios da ALCA impostos polo Tio Sam e protestando junto à OMC contra os subsídios agrícolas mantidos e até ampliados pelos EUA. A Questão é a seguinte: o Neo-intervencionismo belicista de Bush foi causa para a reação ou já é ele próprio uma conseqüência para o crescente desafio da periferia, do oriente e mesmo da Europa ao seu Domínio?

Entramos no novo século abalados visualmente pelo 11 de Setembro que alicerçou o neo-fascismo republicanista de George W. Bush. Assistimos não só a falência dos acordos diplomáticos, mas à impossibilidade da contenção do neo-expasionismo militar norte-americano por forças pacifistas ou de organismos internacionais. Esta nova tensão entre uma política crescentemente impositiva e o despertar de forças sociais de cunho diverso como reação à mesma é o momento vivido pelas relações internacionais. É um agravamento das condições sociais, políticas e econômicas (por que não ecológicas?) que aponta para um tensionamento que pode levar o mundo a um conflito generalizado.

A recente crise nos impulsiona, mais uma vez para questionamentos à ordem vigente que vão de enconto ao mundo recentemente parido da globalização. A ameaça de um colapso ambiental e o hiper-desemprego rondam a mente de quem habita esse planeta. O que vai acontecer? É impossível prever com segurança. Uma terceira guerra mundial? Já a vivemos, não há um continente do mundo onde sangrentos conflitos estejam sendo travados nesse exato momento. Uma coisa é certa: pode ser que esses impasses que nos impelem ao desespero gerem uma nova era onde os donos do mundo sejam obrigados a repensar seus valores, sob pena de terem suas próprias condições hegemônicas ameaçadas. Fora isso, devemos sair dessa passividade e fazer alguma coisa, antes que seja tarde demais.

 

Filmografia

 

“Faça a Coisa Certa”, “Mera Coincidência”, “O Santo”, “Independence Day”, “Matrix”, “Profissão de Risco”, “Traffic”, “O Quarto Poder”, “Supersize Me”, “Baby, o Porquinho Atrapalhado”, “O Informante”, “Cães de Aluguel”, “Todos a Bordo”, “O Ódio”, “Pulp Fiction”, “O Show de Truman”, “Denise Está Chamando”, “O Declínio do Império Americano”, “As Invasões Bárbaras”, “Jesus de Montreal”, “Gattaca”, “Robocop”, “O Dia Depois de Amanhã”, “O Clube da Luta”, “Um Tiro no Coração”, “O Senhor das Armas”, “O Dia Depois de Amanhã”, “Uma Verdade Inconveniente”, “Uma Noite no Museu”.


Plano de Estudos sobre “A Nova Ordem Global”

 

1. Explique que acontecimentos recentes mudaram a correlação de forças política implicando em uma “Nova Ordem Mundial”;

2. O Que é Globalização e quais suas características?

3. O Que é Neoliberalismo e quais suas características?

4. Quais as conseqüências sociais do Neoliberalismo e da Globalização?

5. Por que, quais são e como se formaram os “Blocos Econômicos”?

6. Em Termos de “polaridade”, quais são as tendências existentes no mundo hoje?

7. Disserte sobre o Mercosul, a União Européia e a Bacia do Pacífico: com são estes Blocos Econômicos?

8. O que é Transnacionalização da Produção?

9. De que forma a globalização e a nova ordem mundial afetam sua vida, da sua família e de seus amigos e parentes?

10.                  Disserte, faça suposições sobre o que pode ocorrer no início desse novo milênio em termos de política internacional;


Referências Bibliográficas

 

ANDERSON, Perry. Balanço do Neoliberalismo. In: SADER, Emir. Pós-Neo Liberalismo. p.9-23.

 

RIBEIRO, Luiz Dario. Globalização e Neoliberalismo. Porto Alegre: palestra ministrada no I Seminário Folha da História – Conflitos do Pós-Guerra Fria”, 2000.

 

VICENTINO, Cláudio. História Geral: ensino médio. São Paulo: Scipione, 2000.

 

VIZENTINI, Paulo Fagundes. História do Século XX, Porto Alegre: Novo Século, 1998; cap. Rumo ao Novo Milênio: de 1991 a nossos dias, p187 – 218.